Já ficaram para trás as eleições presidenciais e parlamentares realizadas no dia 24 de junho

A Áustria assumiu a presidência rotativa da União Europeia durante o período correspondente à segunda metade do ano. Não são por isso esperados desenvolvimentos rápidos. A análise do Dr Cemil Dogaç Ipek.

Já ficaram para trás as eleições presidenciais e parlamentares realizadas no dia 24 de junho

Já ficaram para trás as eleições presidenciais e parlamentares realizadas no dia 24 de junho na Turquia. No programa desta semana, vamos analisar a escolha da Turquia e os seus reflexos na política externa turca, segundo a análise do Dr Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ataturk.

As eleições presidenciais e parlamentares na República da Turquia no dia 24 de junho, foram alvo de grande interesse no Ocidente e em todo o mundo. Esta situação mostra a importância dada ao papel regional e global da Turquia, que aumenta cada vez mais.

Nas eleições turcas de 24 de junho, saiu vitorioso Recep Tayyip Erdogan nas eleições presidenciais. Nas eleições parlamentares, venceu a Aliança da República, composta pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (Partido AK) e pelo Partido da Ação Nacionalista (MHP). Foi importante que estas eleições se tenham realizado com uma alta taxa de participação eleitoral. Esta situação deixa claro o ponto a que chegou a democracia turca, a legitimidade do poder e ficou claro o apoio da opinião pública.

A política externa turca, que teve que ficar para trás antes das eleições, começou agora a mover-se rapidamente até porque há uma longa lista de coisas para fazer, e os desenvolvimentos são muito rápidos. Por isso, é possível dizer que se entrou num novo período. Depois das eleições na Turquia terem deixado de ser a principal questão da agenda, são agora dois os temas mais importantes: o primeiro é a política externa e a outro é a luta contra o terrorismo, ligado a questões de política externa.

No próximo período, o mundo ocidental e a União Europeia em particular, querem abrir uma nova página com a Turquia. A Áustria assumiu a presidência rotativa da União Europeia durante o período correspondente à segunda metade do ano. Não são por isso esperados desenvolvimentos rápidos. Mas comparando com o que se passou no passado, podemos verificar que há uma via mais rápida. Ainda não foi possível resolver a questão dos refugiados, e parece difícil que a UE possa chegar a acordo neste tema sem a colaboração da Turquia.

Atualmente, a Turquia vive um clima mais moderado nas suas relações com os Estados Unidos, quando comparando com o que se passava há 2 ou 3 anos. Isto porque o presidente americano Donald Trump quer ter boas relações com a Turquia.

No aparelho burocrático de Washington, é uma realidade conhecida que uma parte significativa dos seus elementos, incluindo os militares, estão contra a Turquia. Mas a Turquia está sentada à mesa de negociações com a confiança dada pela Operação Ramo de Oliveira e pelo memorando sobre Manbij.

As relações com os Estados Unidos abarcam um leque alargado de questões, desde a segurança interna e externa, economia e finanças, passando também pela diplomacia pública e pelos problemas jurídicos. Os problemas vividos com os Estados Unidos também afetam as relações com outras partes relacionadas com a Turquia, desde países, até organizações como a NATO, a União Europeia e empresas privadas. Sem dúvida, as questões negativas influenciam os Estados Unidos e vão continuar a influenciar.

Atualmente, as relações entre os Estados Unidos e a Turquia passam por uma grande crise. O sistema de defesa anti aérea S-400 é o símbolo desta crise. Os Estados Unidos insistem em que a Turquia deve recuar nesta questão. Mas o problema básico está na determinação desta estratégia. Não é claro se esta estratégia americana para que a Turquia renuncie à sua decisão de comprar o sistema S-400, passará por sanções duras ou por rondas diplomáticas suaves de convencimento diplomático. As sanções duras não serão uma medida razoável para o governo americano. As sanções duras, apesar de dificultarem um pouco a vida da Turquia, não terão os resultados desejados. E pelo contrário, podem rapidamente arrastar a Turquia para um ponto de viragem, que separe Ancara do mundo ocidental.

Nos seus discursos que fez após as eleições, o presidente Erdogan dedicou uma importância especial à luta contra o terrorismo e colocou ênfase nesta determinação. É claro que este ênfase têm um sentido mais alargado, para além de ser uma resposta aos desejos dos eleitores. O problema do terrorismo, é cada vez mais sentido na Turquia. Mas naturalmente, esta é uma questão que surge como consequência dos desenvolvimentos globais, regionais e internos do país. Nos próximos tempos, esta questão estará provavelmente mais no topo da agenda.

Os movimentos em redor da Turquia e as alianças que se formaram, mostram que há novos desenvolvimentos relacionados com a Síria, o Iraque e o Irão. O conteúdo da política na região, mudou sobretudo por causa do problema da Síria. Por outro lado, o presidente Erdogan, ao mesmo tempo que coloca o ênfase na luta contra o terrorismo, está ciente de que o problema não se restringe apenas a uma organização. Os desenvolvimentos na região, mostram que existe um problema que vai para além do grupo terrorista.

Nos próximos tempos, penso que existirá um processo em que a abordagem da política externa turca se centrará nos seguintes planos principais:

Modernidade: A Turquia observa de perto os desenvolvimentos no mundo e leva a cabo uma política proativa.

Nacionalismo: Uma Turquia que tem em conta as prioridades da nação turca e do mundo turco na política externa, e que desenvolve ainda mais as relações com as Repúblicas Turcas da Ásia Central.

Conservadorismo: Uma Turquia que fortalece mais as suas ligações com todas as nações oprimidas e com as sociedades muçulmanas.

Por conseguinte, a nação turca, com o resultado das últimas eleições, tomou a decisão de realizar a segunda grande transformação da história da República da Turquia, pelas mãos de Erdogan. A primeira grande transformação, havia sido o estabelecimento do sistema democrático na Turquia em 1 950, com a chegada ao poder do Partido Democrata, liderado pelo primeiro ministro Menderes.

Nos próximos 5 anos, Erdogan irá liderar o processo de institucionalização e a passagem do sistema parlamentar para o sistema presidencialista. Sendo a primeira vez que esta transição ocorre, a sua presidência será seguramente um cargo difícil de ocupar.

A responsabilidade por implementar esta reestruturação, cria naturalmente oportunidades para a mudança. A Turquia, fortalecida pelo novo sistema, tem assim a oportunidade de se tornar mais eficaz do que antes, no que diz respeito à sua política externa.

Esta foi a opinião sobre este assunto do Dr Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ataturk



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