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E se Jerusalém cair?

Jerusalém é a cidade onde as pessoas de todas as religiões viveram em paz e prosperidade, ao longo de 401 anos usufruindo da Paz Otomana. Já a seguir, apresentamos a análise do Prof. Dr. Kudret Bulbul sobre este tema.

E se Jerusalém cair?

Jerusalém é uma cidade sagrada para os muçulmanos, cristãos e judeus… Jerusalém é a primeira Quibla dos muçulmanos. Jerusalém é a cidade onde aconteceu a ascensão do profeta Maomé – o Miraj, que o levou até ao Céu. Segundo a expressão do poeta Sezai Karakoç, “Jerusalém é a cidade que se criou no Céu e que baixou até à Terra”.

Jerusalém é a cidade onde as pessoas de todas as religiões viveram em paz e prosperidade, ao longo de 401 anos usufruindo da Paz Otomana (Pax Otomana). Jerusalém esteve sob domínio otomano desde a conquista de Selim I “o Severo” em 1 561, até 1 917.

E foi desta forma que Jerusalém foi um dos locais onde se viveu num ambiente de paz, do Médio Oriente até ao resto do mundo juntamente com Meca e Medina, ao longo de extensos períodos de paz, ao contrário do que se passa atualmente. Mas hoje em dia, o Médio Oriente é considerado como um “pântano” por vários motivos, desde logo porque Israel transformou a região num mar de sangue.

A decisão dos Estados Unidos sobre Jerusalém e as reações…

Todo o mundo se reuniu depois dos Estados Unidos terem reconhecido unilateralmente Jerusalém como capital de Israel, algo que consideram como sendo uma questão de política interna americana. Todos os países nas Nações Unidas demonstraram uma postura honrosa contra esta decisão, raramente vista apesar das ameaças explícitas, grosseiras e desrespeitosas. Os Estados Unidos ficaram isolados, com 14 votos contra no Conselho de Segurança. Na Assembleia Geral da ONU, para além dos Estados Unidos, apenas 8 países se renderam à chantagem.

O mundo islâmico, os países da União Europeia, os países africanos, bem como a América Latina e o Médio Oriente, agiram de forma conjunta, algo inédito. Em quase todos os países, e sobretudo nos Estados Unidos e em Israel, as pessoas protestaram contra esta decisão e juntaram-se com um sentido comum.

Nesta questão, destacamos o papel de liderança da Turquia enquanto país que assume a presidência rotativa da Organização para a Cooperação Islâmica. As conversas do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, com os líderes da União Europeia, com o presidente russo Vladimir Putin, com o Papa Francisco e outros líderes mundiais, foram muito importantes para que tenha sido adotada uma postura comum.

Jerusalém juntou novamente os países muçulmanos com muitos problemas entre si. Além disso, reuniu também os países da União Europeia e os países muçulmanos em redor de um objetivo comum.

Esperamos que a decisão dos Estados Unidos sobre Jerusalém, contribua para a criação de uma consciência global sobre a Palestina. E esperamos que o acordo global que se gerou contra esta decisão, se dê conta da limpeza étnica que se tem vindo a verificar ao longo do tempo na Palestina, e que se adote uma abordagem baseada no direito para a Palestina.

E se o mundo não reagir e Jerusalém cair?

A decisão dos Estados Unidos sobre Jerusalém, é um dos melhores exemplos de que as coisas que parecem ser más, às vezes também podem servir para o bem de outras.

Se não tivesse sido mostrada resistência, como sempre defendeu o falecido primeiro ministro turco Necmettin Erbakan, Israel teria ganho mais confiança para concretizar o conceito de “Arzi Mevut” (Terras Prometidas), que inclui os territórios dos países da região, estendendo-se até aos rios Tigre e Eufrates. Quando se considera a ameaça da situação atual para a região e para a humanidade, compreende-se melhor a ameaça da criação do “Grande Israel”.

Naturalmente, os judeus que não são racistas nem fascistas, estão conscientes da ameaça que representam os judeus sionistas, que perseguem a ideia de “Arzi Mevut” e que se consideram a si mesmos como um povo eleito. Toda a gente se lembra da ideologia por detrás do nazismo de Hitler, que defendia que os alemães são uma raça superior. E por isso, estas ideias são contra toda a humanidade.

 Se não tivesse havido resistência contra a decisão dos Estados Unidos sobre Jerusalém, teria sido dada força a uma ideologia semelhante de “raça superior”. O facto dos países da União Europeia e dos países islâmicos terem reagido conjuntamente contra a decisão americana sobre Jerusalém, contribuiu para mostrar uma vez mais que o nível de tensão que se atingiu entre o mundo islâmico e ocidental nos últimos tempos, não precisa de ser baseado no princípio de contrariedade.

Se não tivesse havido resistência contra a decisão dos Estados Unidos, teria saído favorecida a ideia de um mundo onde não dominam os justos, mas sim os fortes. E teriam sido prejudicadas as forças de resistência contra a injustiça, nas regiões mais afetadas.

Se não tivessem sido feitos esforços por Jerusalém a nível global, teria ganho a ideia de que não vale a pena resistir, e tornar-se-iam mais obscuras as esperanças sobre o futuro dos indefesos.

Se a humanidade tivesse permanecido calada perante esta decisão, como poderia essa posição ser entendida pela honrada jovem palestiniana Ahed Tamimi, que resistiu heroicamente contra os soldados israelitas?

Quem se atreveria a celebrar o nome de Rachel Corrie, uma ativista de paz americana de 24 anos de idade, que foi esmagada por um buldózer israelita quando protestava contra a destruição das casas dos palestinianos em Gaza?

O nazismo não pode surgir de novo, deve ser evitado o nazismo judeu…

Será suficiente ficarmos por aqui? É claro que não. Isto por que se Jerusalém cair, todas as coisas positivas acima mencionadas deixarão de o ser. Para que Jerusalém não caia, os judeus liberais devem resistir mais. Caso contrário, serão eles os primeiros a perder. Com o nazismo alemão, os primeiros a perder foram os alemães. A humanidade sofreu muito com o nazismo alemão. Não devem agora viver-se outra vez as mesmas coisas com o nazismo judeu.

Como se viu, a questão de Jerusalém não é um assunto apenas dos muçulmanos, cristãos e judeus, é uma questão de toda a humanidade. Se Jerusalém cair, cairá também a consciência e a justiça, e cairá a humanidade.

Este programa foi escrito pelo Prof. Dr. Kudret Bulbul, decano da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yildirim Beyazit em Ancara



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