Cerca de 750 milhões de pessoas carecem de água potável

Cerca de 750 milhões de pessoas não têm acesso a água potável, o que faz com que sofram doenças que provocam a morte de mais de meio milhão de crianças por ano.

Cerca de 750 milhões de pessoas carecem de água potável

Para relembrar o dia mundial da água, que se celebra no próximo dia 22 de março, a ONG “Plan international” lembrou que este problema recai nas mulheres e, principalmente, nas crianças na maior parte dos países em vias de desenvolvimento da África, Ásia e América.

A falta de água de qualidade, potável e saudável “agrava a pobreza dos países em desenvolvimento” e provoca “desnutrição e morte” até ao ponto em que “uma criança morre a cada minuto por não ter acesso a água limpa”, segundo o comunicado.

O trabalho das organizações-não-governamentais, apenas alivia este problema e, no caso da “Plan International”, dedicada especificamente à proteção dos direitos da criança, só durante 2014, investiu mais de 42 milhões de euros em projetos de água e saneamento e na melhora das instalações higiénicas de mais de 800 mil famílias.

Um exemplo é o de Rachael Adut, uma mãe solteira com seis filhos que teve que abandonar o seu lar no Sudão do sul em dezembro de 2013, quando estalou o conflito armado no país, e atualmente vive no campo de refugiados de Melijo.

“Tinha que caminhar quatro horas por dia para ir buscar água a um sítio onde não conhecia ninguém…, também não tinha ninguém que me ajudasse a cuidar dos meus filhos, assim as crianças só podiam comer quando eu voltasse com a água para preparar a comida”, explica Adut.

Agora a situação é diferente, graças a 3 poços de água e 56 latrinas que foram construídos pela ONG neste acampamento para que os refugiados não tivessem que percorrer tão grandes distâncias e, mesmo assim, tirar água contaminada do rio mais próximo.

Ainda assim, esta rotina é habitual para centenas de milhões de pessoas que sofrem, por isto, doenças como a diarreia ou a febre tifoide, especialmente entre os menores de cinco anos de idade.

“Mesmo que a meta fixada nos objetivos de desenvolvimento do milénio de 89% de cobertura de água potável a nível mundial se tenha alcançado em 2012, ainda há 45 países que não conseguiram este objetivo e prevê-se que não o alcançarão até 2026”, pode ler-se no documento.

Concha Lopez, diretora geral da “Plan International” em Espanha, assegurou que “o acesso à água potável numa comunidade melhora, de maneira decisiva, aspetos como a educação e a igualdade de género” e que contar com um ponto de água próximo da habitação “melhora os índices de aproveitamento escolar e contribui para o cumprimento de outro objetivo de desenvolvimento do milénio: garantir a educação primária universal”.

Os programas de água desta ONG estendem-se a projetos contra doenças como a malária ou a cólera em diversos países do mundo como na região de Kayes (Mali), onde uma das suas iniciativas, financiada pela UE, contribui atualmente para a distribuição de água de qualidade a 20 mil pessoas, graças à instalação de sistemas de bombagem com energia solar.


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