Análise da atualidade: Escalada da guerra entre a Rússia e a Ucrânia

Análise elaborada pelo investigador de política externa, Can ACUN da SETA

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Análise da atualidade: Escalada da guerra entre a Rússia e a Ucrânia
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Análise da atualidade: Escalada da guerra entre a Rússia e a Ucrânia

Embora a guerra russo-ucraniana tenha entrado numa nova fase com o anúncio da "Mobilização Parcial" pelo Presidente russo, Vladimir Putin, a guerra encontra-se numa fase de escalada com o referendo realizado nos territórios ocupados. Após a pesada derrota que sofreram na região de Kharkov, os russos anunciaram que levariam 300 mil pessoas armadas e as deslocariam para a linha da frente com a mobilização parcial, a fim de se reequilibrarem militarmente no terreno. No entanto, é um mistério até que ponto este passo irá mudar a realidade no terreno, a favor dos russos.  O confronto económico e energético também se mantém. Enquanto os russos estão a fechar os gasodutos que transportam gás para a UE, apenas o “Turkish Stream” continua ativamente a transportar gás.

 

Houve dois desenvolvimentos críticos que irão afetar o curso da guerra na Ucrânia. O primeiro foi a decisão de realizar referendos nas regiões de Donbass, Kherson e Zaporizhia, que estão ocupadas pela Rússia. Claro que estes referendos não têm valor legal, mas se os russos reconhecerem os resultados do referendo e declararem que anexaram estas regiões, posteriormente quando e se o exército ucraniano visar estas regiões, a Rússia considerará que se trata de um ataque ao solo russo, e tendo ameaçado utilizar todos os meios militares à sua disposição, poderá incluir a utilização de armas nucleares. Outra consequência do referendo é que mina completamente quaisquer conversações de paz possíveis. Zelensky, deixou claro que se estes referendos se realizassem, ele não se sentaria de forma alguma com os russos.

 

Outro desenvolvimento importante é que Putin fez um discurso duro e declarou uma mobilização parcial. O Ministro da Defesa Choigu, declarou que serão recrutadas 300 mil pessoas e que 250 mil destas já são atualmente militares na reserva. No entanto, após o anúncio da mobilização, enquanto dezenas de milhares de pessoas foram recrutadas à força em todo o país, imagens de milhares de russos que tentavam fugir do país surgiram nos meios de comunicação social. Mais uma vez, em repúblicas autónomas como o Dagestan, o público tem mostrado uma forte reação. Os custos da guerra, na opinião pública interna, começaram a aumentar para Putin. 

 

Com a decisão da Mobilização Parcial de Putin, o exército russo tenta equilibrar forças na linha da frente com o exército ucraniano, aumentando o número de tropas. Em especial, a pesada derrota em Kharkov preocupou seriamente Putin e a sua equipa. A ajuda militar ilimitada dos países ocidentais e a forte motivação moral no terreno mostraram que o exército ucraniano aproveitou o impulso e começou a estabelecer superioridade sobre a Rússia. Agora, Putin, quer pelo menos restabelecer o equilíbrio na linha da frente, mas dado que o exército russo e a indústria de defesa não têm capacidade para substituir as suas perdas, parece improvável que a Rússia seja o vencedor desta guerra de atrito. Só transformando a mobilização parcial em mobilização total, e canalizando toda a sua infraestrutura industrial e a força humana para a guerra, é que a Rússia poderá eventualmente prevalecer sobre a Ucrânia e os seus aliados, ou então, recorrerá a armas nucleares táticas ou retirar-se-á gradualmente dos locais que ocupa.

 

Considerando os atuais equilíbrios militares, com uma mobilização parcial, não é possível que os russos saiam do terreno vitoriosos.     



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