Obrigar o regime e os seus aliados a fazerem a paz em Idlib

As forças do regime intensificaram os seus ataques contra Idlib nas últimas duas semanas.

Obrigar o regime e os seus aliados a fazerem a paz em Idlib

Com o crescente apoio da Rússia e do Irão, as forças do regime de Assad continuam os seus ataques em Idlib, em violação do processo Astana. Enquanto as forças do regime avançam para tomarem o controlo da estratégica estrada M4-M5, na sua caminhada na região assumiram o controle da zona entre Saraqib e Al-Ais, onde cerca de 1,5 milhões de pessoas foram deslocadas no ano passado. A operação militar total em Idlib confirma que o regime e os seus aliados estão à procura de uma vitória militar, em vez de uma solução política. Por seu lado, a Turquia demonstrou através das suas medidas militares, que não permitirá tal situação.

As forças do regime intensificaram os seus ataques contra Idlib nas últimas duas semanas e continuaram a avançanr contra a oposição, recebendo apoio terrestre das milícias xiitas do Irão e apoio aéreo por parte da Rússia. As forças do regime de Damasco e os seus aliados orientaram-se para norte, depois de controlarem Maarat al Numan - a maior cidade de Idlib - e assumiram o controle de Saraqib, que é estrategicamente importante por garantir a ligação entre as estradas M4 e M5.

Centenas de milhares de pessoas começaram a fugir das áreas atacadas, em direção à fronteira com a Turquia. Ao ver esta situação, a Turquia teve que dar um ultimato contra as forças do regime, depois destas terem aumentado a sua força militar em Idlib. Mas depois do regime ter atacado diretamente os soldados turcos nas regiões de Saraqib e Taftanaz, a Turquia teve que atacar as forças do regime pela primeira vez em larga escala, desde o início da guerra civil na Síria.

O presidente Erdogan fez um ultimato com data marcada e disse que "Se as forças do regime não se retirarem para fora das fronteiras do acordo de Sochi até o final de fevereiro, interviremos militarmente e empurraremos o regime de volta".

Estas palavras do Presidente Erdogan e a concretização do acumular de forças militares das Forças Armadas da Turquia (TSK) em Idlib, mostram que a Turquia mudou a sua atitude em relação à região e que se entrou num novo período. A Turquia ainda quer formar uma plataforma de acordo com a Rússia, e que o regime se retire para fora das fronteiras do acordo de Sochi. No entanto, e no caso do acordo não ser respeitado, que parece ser o mais provável, observamos que a Turquia e os seus elementos armados lançarão uma operação militar, que repelirá o regime para fora da região onde há 12 postos de observação na Turquia.

Para além dos passos dados pelo regime de Damasco, as medidas tomadas pela Rússia no terreno na Síria no período recente, prejudicaram os interesses nacionais da Turquia. Está na hora da Rússia perceber o valor da Turquia enquanto seu aliado. Parece que o custo crescente de uma solução militar por parte da Turquia, será necessário para fazer entender a importância da paz, e para que essa importância seja entendida também pela Rússia.
* Este programa foi escrito pelo investigador e escritor Can ACUN, da Fundação SETA



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