A Turquia iniciou a Operação Ramo de Oliveira

Recentemente, a Turquia mobilizou-se contra os elementos da organização terrorista PKK/YPG em Afrin. A análise do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.

A Turquia iniciou a Operação Ramo de Oliveira

A República da Turquia continua sem interrupções a sua luta contra o terrorismo. Neste contexto, a Turquia começou a operação Ramo de Oliveira contra os membros da organização terrorista PKK acantonados em Afrin. No programa desta semana, vamos analisar esta operação e os seus reflexos na política externa turca.

A Turquia planeava desde há algum tempo uma operação militar contra um grupo que percebe como sendo uma ameaça terrorista, mesmo junto à sua fronteira. A Turquia e os elementos do Exército Nacional treinados pela Turquia, mobilizaram-se recentemente contra os elementos da organização terrorista PKK/YPG em Afrin. A operação, cujos preparativos começaram há muito tempo, teve início logo após a declaração do presidente da Turquia, no dia 20 de janeiro às 17h. O nome desta operação foi divulgado à opinião pública mundial como “Ramo de Oliveira”.

Quando avaliamos esta operação pela perspetiva militar, não falta nada à Turquia nem aos seus aliados, pois desde há muito tempo que se estão a concentrar nesta zona. Para além desta concentração dentro das fronteiras da Turquia, a leste de Afrin está também o Exército Livre Sírio e a sul estão soldados turcos. Por este motivo, esta operação tem um caráter diferente da realizada em Al-Bab. Depois do ataque, será feita uma limpeza.

Afrin fica no noroeste da Síria e é uma localidade importante da província de Alepo. Esta região está situada numa posição importante da linha de fronteira com a Turquia. Afrin era uma região onde vivam juntos os turcomanos, curdos e árabes. Mas quando o PKK/YPG assumiu o controlo da região, obrigou os turcomanos e os árabes a sair. Antes do PKK/YPG ter assumido o controlo da zona, Afrin tinha uma importante população turcomana. E é por isso, que em Afrin e à sua volta existem muitas aldeias turcomanas como Deli Osman, Binidrek, Velidli, Deli Oğlan, Güvende, Tepeköy, Koruköy, Pullu, Sokallı, Atamanlı, Aliviran, Firfirik, Meydanlıoba, Alemdar, Çakmak, Küçüksokalı Öksüzlü, los enclaves Göbekköyü, Şeyler, Dik e as aldeias nas grutas. A leste do rio Incesu, que corre desde a fronteira de Gaziantep para sul, existem os enclaves de Bülbül Baliköy Beğ, Mahmut, Ziyaretköy,  Serenci, Aşağı, Salkaya, Ali Beğ, Karışık Konak, Hıdırlı, Çolaklı e Sağır, Kur Göl, Kaş Uzadı, Bebe Uşadı, Kurt Uşadı, Alkanlı, Duraklı Alıcı, as aldeias de Küçük Kargın, Belen, Naz Uşağı, Meydanlık, Çorbacıoğlu e Anbarlı.

A leste do rio Çerçim e até à fronteirada Turquía, existem as localidades de Derviş Oba, Küçük Atamahlı, as aldeias de Kadı, Mamalı Uşağı, Ömer Uşağı, Sarı Uşak, Kantarlı, Birincilik, Kantara, Madedii, Çömezli, Al Cura, Hacı Kasımlı, e ainda as aldeias de Arslanın, Satı Uşağı, Kışla, Selçik, Çakallı, Jeque Çakallı e Inkale. Ao longo do rio Çerçim existem também as aldeias de  Aşağı Kışla, Dar Güney, Subaşı, Çolaklar, Karabaş, Büyük Çakallı, Hacı Hasanlı, Aşağı Çobanlı, Tatarhanlı, Kararnköy, Kocaman, Şeyh Abdurrahman Gazi, Gümüş Burç, Yaha Goz, Hacdar, Aceli.

A leste de Cebeli Seman e das aldeias turcomanas no Vale da Água, em Afrin, existem as seguintes aldeias (de norte para sul): as aldeias de Kurt Kulağı, Kara Kurt Kulağı, Karatepe, Kersen Taş, Masut, Burç Gaziler, Çadırköy, Istanköy, Celeme, Eski Celeme, Göl Bayılı, Yukarı Divan, Molla Halil, Atmaköy. As aldeias turcomanas entre Azez e a água de Afrin são Iki Dam, Kuzuncu Pınar, Arpa Veren, Dikmetaş, Kozcupınarı, Umranlı, Büyük Kargın, Ali Beyli, Çimenli, Direkli, Aşağı Dam, Kastal, Ziyaret, Katma, Metinli e Ali. Al leste de Azez, há ainda as aldeias de Sucu, Kefer, Parça, Kefersuç, Iğde, Havar, Hacar, Nasminye, Telbattal, Kıscak, Telşahin, Çeke, Dudan, Kuru Mezra, Bağdili, Karaköprü, Yeniyapan, Mırgıl, Şamandra, Savran, Tuğlu, Kızılmezra, Barak, Kefer, Kani, Tel Hussein, Yelbalal, El Beğli, Yahnil e Deftedar.

Afrin não deve ser considerado um objetivo fácil, porque o PKK/YPG está-se a preparar desde há muito tempo. Com este objetivo em mente, formaram muitos terroristas. Sabemos que na região foram escavados muitos túneis e que estão fortemente armados. Além disso, o PKK/YPG aprendeu muito com o DAESH, pois são produtos da mesma fábrica e com os mesmos métodos no terreno. Nesta operação deverão também usar os civis como escudos humanos, um dos métodos do DAESH.

Mas apesar de tudo isto, o exército turco e os seus aliados têm força para derrotar a organização terrorista separatista. Há que sublinhar o seguinte: esta operação não é contra os curdos e os curdos na região sabem disto. E há também um detalhe importante: há comandantes curdos nas posições chave de todas as forças turcomanas que participam na operação. Eles também lutam contra o terrorismo do PKK.

Quando olhamos para esta questão sob a perspetiva dos EUA, para Washington a questão de Afrin não tem importância. Mas se calhar os americanos até estão contentes com esta operação, por dois motivos: em primeiro lugar, pela possibilidade de poderem ocorrer problemas entre a Turquia e a Rússia por causa de Afrin. E em segundo lugar, e como toda a gente sabe, os EUA desenvolvem um projeto político e militar há muito tempo com o PKK, a leste do Eufrates. A Turquia está totalmente contra este projeto, e estando ocupada com outras questões, isso poderá ser bem visto pelos EUA.

A Turquia, tal como aconteceu na operação Escudo do Eufrates, está a realizar esta operação em conformidade com as decisões do artigo 51 do Tratado da ONU e na sequência das decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Por isso, a operação Ramo de Oliveira é uma ação legítima à luz do direito internacional. Penso que esta operação irá continuar para além de Afrin. Na realidade, a conjuntura também apresenta oportunidades para a Turquia, já que a Rússia e os EUA estão em sério desacordo nesta questão. Nesta conjuntura, a Turquia vale como elemento de equilíbrio. A Turquia pode usar esta conjuntura. Vemos esta determinação nas declarações do presidente Erdogan. Não ficaremos por isso surpreendidos se depois de Afrin, a operação se alargar até Manbij e Tal Abyad.

Esta foi a opinião sobre este assunto do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.



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