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O dilema da diplomacia em Chipre

Na literatura internacional, a diplomacia é descrita como sendo a arte de resolver os problemas pela via do diálogo e através de métodos pacíficos.

O dilema da diplomacia em Chipre

(Transcrição do programa de rádio)

Olá caros ouvintes da Rádio TRT Voz da Turquia, sejam bem-vindos a mais uma edição do programa A União Europeia e a Turquia.

Na literatura internacional, a diplomacia é descrita como sendo a arte de resolver os problemas pela via do diálogo e através de métodos pacíficos.

Os estados que se deparam com problemas bilaterais ou multilaterais no sistema internacional, tentam resolver esses problemas através de vários métodos diplomáticos. Mas na diplomacia não existem garantias nem uma regra que permita que os problemas sejam sempre resolvidos. Por vezes, existem condições para se chegar a uma solução. Mas também há situações em que isso não acontece, obrigando as partes a conviver com os problemas identificados. No entanto, alguns problemas são mesmo impossíveis de resolver.

Em situações muito raras, os problemas que não foram possíveis de resolver através da diplomacia, acabam por ser resolvidos através de guerras. Por exemplo, a questão cipriota é um problema relativamente ao qual não foi possível chegar a uma solução. Já o problema entre Taiwan e a China é totalmente insolúvel. O problema da ocupação do Kuwait por parte de Sadam Hussein não foi resolvido através da diplomacia, acabando por ser resolvido com recurso à guerra.

Relativamente à questão cipriota, tal como aconteceu nas reuniões anteriores, também fracassou a Conferência de Chipre que teve lugar na cidade suíça de Crans-Montana ao longo de 10 dias, e que reuniu à mesma mesa os lados turco e greco-cipriota. Os atores presentes nesta conferência incluíram responsáveis como o presidente da República Turca do Chipre do Norte, Mustafa Akinci, que chegou ao poder em maio de 2 015. Por isso, devemos analisar este processo de negociações diplomáticas ao longo do último período de 2 anos, para compreender a qualidade da diplomacia apresentada em Chipre.

Depois dos estudos preliminares iniciados em maio de 2 015, foi organizada a primeira sessão de negociações na cidade suíça de Genebra a 12 de janeiro de 2 017, para tentar encontrar uma solução abrangente para a questão cipriota. Nesta ronda de negociações, que se prolongou ao longo de duas semanas, não foi possível chegar-se a um consenso. Quando olhamos para as declarações feitas na imprensa greco-cipriota e grega, pode-se dizer que o lado greco-cipriota não quer que a Turquia continue a desempenhar o seu papel de garante da ilha de Chipre sob nenhuma forma, e quer a saída dos soldados turcos da ilha. Além disso, os greco-cipriotas não se aproximam de um consenso nos capítulos da “Administração” e da “Divisão de Forças e de Terra”.

Outra reunião importante sobre a questão cipriota, teve lugar em Nicósia a 15 de fevereiro. Durante esta ronda negocial, o líder greco-cipriota Nikos Anastasiadis tomou por um lado a decisão de celebrar oficialmente a Enosis – a fusão de Chipre com a Grécia – em todas as escolas greco-cipriotas. Por outro lado, Anastasiadis sabotou os esforços diplomáticos ao retirar-se destas negociações. A última reunião importante sobre a questão cipriota foi a Conferência de Chipre, que começou a 28 de junho em Crans-Montana, na Suíça, e que se prolongou durante 10 dias. De acordo com as notícias na imprensa nacional e internacional, a principal razão para o falhanço desta conferência foi a postura irreconciliável dos greco-cipriotas, nos temas do território e das garantias. Apesar de todos os esforços do enviado especial do secretário geral das Nações Unidas para Chipre, os greco-cipriotas insistiram na retirada dos soldados turcos da ilha e no regresso dos 92 mil greco-cipriotas cuja maioria já faleceu na região turca da ilha. Além disso, o facto do lado greco-cipriota filtrar os documentos e as informações dadas à imprensa sobre as negociações – para usar esta questão como ferramenta de política interna – ensombrou o processo diplomático.

Relativamente à resposta politica e diplomática das exigências greco-cipriotas, esta situação revela uma intenção de concretizar a Enosis por parte do lado greco-cipriota. Estas exigências representam por um lado o isolamento da Turquia, e revelam a tentativa de assimilar os turcos na ilha, para garantir o alargamento dos greco-cipriotas. No entanto, as declarações do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, bem como as afirmações do ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Çavusoglu, confirmam a abordagem negativa e desonesta dos greco-cipriotas, em resposta à postura positiva e construtiva do lado turco-cipriota, no sentido de ser alcançada uma solução permanente e justa na ilha. A postura greco-cipriota fez fracassar as negociações.

A situação que surgiu depois das negociações terem decorrido de forma unilateral, é designada em diplomacia por “impasse diplomático”. No entanto, a diplomacia é um processo de consensos que requer uma participação recíproca, no âmbito dos princípios da justiça. Se a diplomacia for executada com base nestes princípios básicos, é possível chegar a uma solução. Mas as negociações cipriotas arrastam-se em direção a um impasse diplomático, por razões com origem do lado greco-cipriota – tal como mencionámos acima. O caminho para superar este impasse, passa pela criação de um plano de solução diferente, ou por nos habituarmos a um ponto morto.

Este programa foi escrito pelo Professor Mustafa Sitki Bilgin



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