Os problemas da Europa

Juntamente com uma série de eleições locais e nacionais, a política da Europa deverá aprofundar as preocupações consigo própria, e parece dar apoio às políticas populistas, anti-imigração, islamofóbicas e à xenofobia em geral no velho continente.

627313
Os problemas da Europa

“Juntamente com uma série de eleições locais e nacionais que se realizam no próximo ano, a política da Europa deverá aprofundar as preocupações consigo própria, e parece que no global do velho continente estão a crescer as políticas populistas, anti-imigração, islamofóbicas e xenofobia”.

A Europa enfrenta uma onda de populismo político destrutivo, resultante do oportunismo do ambiente de insegurança global, caos regional e da discriminação contra os imigrantes. Esta situação ameaça a opinião pública da Europa, depois da votação do Brexit e corre-se o risco da UE ficar mais fraca.

Juntamente com uma série de eleições locais e nacionais, a política da Europa deverá aprofundar as preocupações consigo própria, e parece dar apoio às políticas populistas, anti-imigração, islamofóbicas e à xenofobia em geral no velho continente. Se a Europa dentro da sua casa quer continuar a ser importante num mundo forte e unido, os líderes políticos europeus têm que fazer análises lógicas.

Aqueles que têm sérias preocupações sobre o neorracismo e o oportunismo político nas eleições para a presidência da Áustria, ficaram mais tranquilos depois da vitória de Alexander van der Bellen contra o candidato Norbert Hofer da extrema direita. Hofer, não se contentando em dar abertamente opiniões racistas contra os turcos e os muçulmanos, questionou a UE como tema principal da sua campanha (mas depois mudou de opinião), e pediu um referendo semelhante ao Brexit. Se tivesse sido eleito, seria o primeiro presidente abertamente de extrema direita e islamofóbico de um dos países mais importantes da Europa.

Apesar de Hofer ter perdido, no entanto continuam vivas as opiniões que ele defende e tenta disseminar. Ele não estava apenas contra a entrada da Turquia na UE, estava também contra a ida de turcos e de muçulmanos para a Áustria – uma atitude política que se estende a cada vez mais países europeus. Entretanto, o atual governo austríaco continua com a sua atitude hostil e discutível contra a Turquia.

O resultado das eleições na Áustria dão uma luz de esperança, apesar de pouca. Acusar os turcos, os imigrantes e os muçulmanos de serem os responsáveis pelos problemas da Áustria e da Europa, nem sempre tem sucesso nas urnas.

Na Europa, pelo menos alguns conseguem ver a realidade tal como ela é. Associar uma razão aos problemas caóticos e determinar um grupo de pessoas como bode expiatório, pode trazer ganhos políticos no curto prazo mas não resolve os problemas a longo prazo.

Se os partidos europeus de extrema direita continuarem a lucrar com os medos mal dirigidos dos cidadãos comuns, e continuarem a provocar o povo com preconceitos e fanatismo, apenas conseguirão apronfundar os sentimentos de desesperança, confusão e ódio, e não terão êxito na solução dos problemas reais da Europa.

Parece que vemos uma repetição desta situação mas eleições francesas que se realizarão no próximo ano. A Frente Nacional liderada por Marine Le Pen, conseguiu aumentar a sua base de apoio nos últimos anos. Espera-se que este partido seja um rival importante nas eleições presidenciais de 2 017. A declaração de Hollande de que não será novamente candidato, e os maus resultados dos socialistas nas sondagens, terão em breve uma resposta do Partido dos Republicanos (que antigamente se chamava Movimento do Povo Unido – UMP), bem como do seu candidato à presidência, François Fillon. O que parece certo é que as opiniões anti-imigrantes, antiglobalização, contra a Turquia e contra os muçulmanos, farão parte das eleições francesas. Não parece possível que a França renuncie à UE e dê sequência ao modelo Brexit. Mas os problemas que já vêm de há muito tempo como as questões da integração, islamofobia, radicalização, desemprego, a identidade francesa e a perceção do ego, continuarão a dominar a cena social e política em França.

A política alemã parece deparar-se com os mesmos problemas nas próximas eleições gerais. Angela Merkel, a líder mais forte da Alemanha e da Europa, apesar da alta probabilidade de ganhar, tem que enfrentar os crescentes problemas de política anti-imigração e o desafio de manter forte a economia da Europa. Mas apesar dos grandes esforços e do êxito em parar a crise dos imigrantes que se dirigem à Europa, Merkel pagou o preço nas eleições locais alemãs. Ela terá que enfrentar questões como o populismo e o oportunismo político, em crescimento no seu país e na Europa.

Além disto, o referendo constitucional em Itália, ganho pelos que deram um voto de confiança e que teve como resultado a demissão do primeiro ministro Matteo Renzi, tem o potencial de aprofundar a instabilidade política em Itália, um importante e vasto país da Europa. Apesar da Itália ser conhecida pelos seus governos em constante mudança e pela políticas instáveis, uma nova crise governamental terá importantes resultados políticos e económicos, não só para a Itália mas também para a Europa.

Esta situação política difícil de entender na Europa, naturalmente terá influência na relação entre a Turquia e a UE. A falta de estabilidade e o apoio à luta da Turquia contra o terrorismo, desempenham um papel venenoso que aprofunda as divergências atuais. Não dar atenção ao sentido real dos problemas de segurança na Turquia – que está numa posição chave para a segurança da Europa – alimenta um profundo sentimento de insegurança.

As negociações de adesão que avançam muito lentamente e que geralmente são adiadas, comprometem o futuro. O fracasso da Europa em lutar adequada e eficazmente contra a crise migratória, continua a gerar tensão nas relações. E também não ajuda nada o trabalho dos políticos irresponsáveis em nome do oportunismo político e a transformação de “outros” no presidente Erdogan e na Turquia.

A forma de resolverem este caos é determinar corretamente as prioridades e perceber que a nossa segurança e bem estar comuns dependem de trabalharmos juntos a todos os níveis. Num ambiente onde haja mais dependência mútua e dificuldades comuns, é possível criar um ambiente que fortaleça ambas as partes para podermos recusar ser submetidos a jogos dos quais ambos saímos a perder.

A Europa pode encontrar uma solução para os seus problemas, adotando novamente os valores básicos da política corrente principal, e não se fazendo de vítima dessa política, nem das imposições do nacionalismo de extrema direita e do racismo.

Abrir uma nova página nas relações com a Turquia pode ajudar muito neste processo. Vincular a um resultado o processo de liberalização de vistos Schengen para a Turquia, irá criar um novo ambiente de associação. Este é um direito que já vem de antes para os cidadãos turcos. Outra medida que a UE tem que tomar é a promessa que fez à Turquia para dividir com a Turquia a carga dos imigrantes. E por último, entender os problemas de segurança da Turquia - antes e depois da intentona golpista de 15 de julho – o que ajudará a mudar o ambiente político hostil atual da Europa. A inimizade contra a Turquia em nome do populismo político, causa mais prejuízos à Europa do que à Turquia.



Notícias relacionadas