A ilha de Akdamar, uma lenda de amor

A meio do Lago Van, há 4 ilhas, e a segunda maior delas é a ilha de Akdamar, dominada pelas ruínas de um templo românico, testemunha de visitas sem igual.

A ilha de Akdamar, uma lenda de amor

A ilha de Akdamar é um local maravilhoso, rodeado de mistérios e com muitas lendas. É possível chegar até à ilha nos barcos que partem de um pontão nas imediações do distrito de Gevas, na cidade de Van, uma cidade situada na região do leste da Anatólia. A ilha e a sua igreja, constituem um importante centro turístico da Turquia. A ilha tem uma linha costeira de 70 mil metros quadrados de largura por 3 de comprimento. As encostas com uma altura de 80 metros acima do nível do lago – na costa leste da ilha – acolhem milhares de gaivotas que se refugiam no Lago Van.

O nome dado à ilha de Akdamar é explicado através de uma lenda local. Pensa-se que o nome da ilha tenha tido origem no amor entre um nobre e a filha do monge no mosteiro. Segundo a lenda, um nobre que se apaixonou por uma belíssima rapariga chamada Tamar, ia todas as noites à ilha para a ver. O nobre atravessava o lago num pequeno bote, orientando-se pela luz das velas que Tamar acendia numa das janelas do mosteiro.

O monge, seu pai, acabou por se aperceber do que estava a acontecer e fechou a sua filha numa cela subterrânea. Nessa mesma noite, uma tempestade transformou o lago num mar furioso. O pai de Tamar acendeu a vela, para orientar o nobre a navegar até ao mosteiro. E quando viu o seu barco a aproximar-se, a meio do caminho entre as margens e a ilha, apagou a vela. A tempestade cobria a lua e as estrelas, e o apaixonado nobre, desorientado e em total escuridão, navegou sem rumo pelo lago, lutando contra águas bravas enquanto tentava chegar à ilha.

Acabou esgotado com tantos esforços, perdeu a batalha contra as ondas e naufragou, afundando-se juntamente com o seu bote. As suas últimas palavras antes de se afogar foram “Ah Tamar”, um gritou que se juntou à noite de tempestade. A rapariga, ao saber da morte do seu amado, acabaria também ela por morrer pouco depois. Por isso, a ilha chama-se Ah Tamar, que evolui entretanto para Akdamar.

A região mudou de mãos entre as famílias arménias no ano de 705. No século IX, Gagik I passou a estar no centro da região, na sequência do acordo que fez com os arménios e muçulmanos. Naquele tempo a ilha tinha uma localidade, uma igreja, uma loja e um pequeno porto. Pensa-se que a ilha tenha sido habitada até à guerra entre os persas e os otomanos em 1 535.

Depois do século XVI, passou a haver um mosteiro que foi oferecido à cruz sagrada. A atual igreja de Akdamar (a Igreja Catedral de Santa Cruz), recebeu um presente: uma peça da cruz que foi trazida de Jerusalém por Gagik I. Esta igreja é um dos exemplos sem igual da arquitetura das igrejas medievais, e foi construída em rocha de andesito.

Na fachada exterior do edifício, são abordados diversos temas do Livro Sagrado em baixos relevos de pedra. Esta igreja foi salva da destruição pelos esforços do famoso escritor turco Yasar Kemal, e desde então tornou-se num dos locais que mais turistas atrai até ao leste da Anatólia.

A população arménia abandonou a região de Van depois dos exércitos russos – perturbados pelos distúrbios civis causados pela revolução bolchevique durante a I Guerra Mundial – se terem retirado daquela região. Os arménios, que sempre foram considerados como uma nação fiel durante o império otomano, levaram a cabo tentativas de rebelião fazendo propaganda a favor da Rússia, depois da guerra russo-otomana em 1 877. Segundo o previsto no acordo assinado após esse conflito, a Rússia obteve o título de mecenas dos cristãos a viver no império otomano. De forma bem planeada, foram criadas divergências e deu-se a separação entre os dois povos, que viveram juntos durante centenas de anos. Eles tentaram também fortalecer os russos, armando os cristãos para uma próxima guerra.

Aconteceram diversas revoltas e mortes recíprocas na região durante a I Guerra Mundial. O império otomano, que considerava os efeitos negativos destas revoltas para o futuro da pátria, viu-se obrigado a realizar uma política de deportação obrigatória. A população cristã foi então deslocada para regiões mais seguras. E mais tarde, foi assinado o Tratado de Lausana, que previa a o intercâmbio de populações e permitiu aos cristãos viver na Anatólia, mas fora de Istambul. Os cristãos que viveram na Anatólia durante mais de mil anos, foram então levados para a Grécia, e os turcos oriundos da Grécia foram trazidos para a Anatólia.

A igreja de Akdamar foi restaurada pelo Ministério da Cultura e Turismo entre os anos de 2 005 e 2 007, no âmbito dos estudos para melhorar as relações com os arménios a viver na Turquia e para melhorar as relações com a Arménia, um país vizinho da Turquia. Além disso, em 2 010, foi realizada uma missa dirigida pelo representante da Igreja Ortodoxa Arménia na Turquia, Aram Atesyan. Esta foi a primeira missa realizada em 95 anos.

A ilha de Akdamar e a sua Igreja Catedral de Santa Cruz, constituem uma importante referência turística que toda a gente deveria visitar no leste da Anatólia.



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