“O Fim da História” teve consequências

No ano em que Fukuyama escreveu esta teoria, vale a pena lembrar que foi após a desintegração da União Soviética a seguir a 1 991, quando os Estados Unidos dividiram o espaço aéreo do Iraque em três.

“O Fim da História” teve consequências

Francis Fukuyama, após a desintegração da União Soviética, publicou a sua tese com o título de “O Fim da História”, que teve repercussões. Escrita tanto no começo da revolução de Khomeini no Irão, como durante a vigência dos combatentes no Afeganistão que foram rotulados de “islâmicos” e que venceram a Rússia soviética, dando origem a reações típicas dos autores românticos.

De forma resumida, é isto que Fukuyama diz na sua tese:

“O fracasso das formas de administração como a monarquia ou o comunismo, advém das suas falhas em apresentar às pessoas a liberdade e o bem estar. O que impede que o islão seja considerado como uma forma de administração alternativa, é o facto de nele não se encontrar liberdade nem democracia.

O islão não tem os meios que possam assegurar alguns valores importantes da modernidade, nem dá oportunidades a uma vinculação com a modernidade definida através da democracia liberal e do capitalismo. Numa sociedade com dados para o desenvolvimento da liberdade, o sistema social e político mais adequado é a democracia liberal, aberta à luta entre ideologias e que resulta da vitória do liberalismo”.

No ano em que Fukuyama escreveu esta teoria, vale a pena lembrar que foi após a desintegração da União Soviética a seguir a 1 991, quando os Estados Unidos dividiram o espaço aéreo do Iraque em três. Tal comos nos lembramos, a primeiro guerra do Golfo foi a guerra dos Estados Unidos que dividiu o Iraque em 3 territórios distintos. Os países líderes da democracia do ocidente liberal que Fukuyama muito elogiou naquela altura, deram início a ventos de transformação no mundo islâmico:

Foi um período em que na Turquia, o Partido do Bem Estar (o Partido Refah), era o preferido por parte das pessoas com sensibilidades islâmicas. Na Palestina, o principal ator da vida política era o Hamas, que conquistou um lugar no coração da maioria das pessoas do seu povo, vencendo a Organização de Libertação da Palestina (OLP). A revolução do “islão”, no Sudão – cuja teoria foi criada por Hassan Turabi – mas que na prática foi implementada pelo presidente e general Omar al Bashir, mudou o seu caminho não aprovar os seus métodos, e na Bósnia Herzegovina os muçulmanos passaram a estar cientes da sua própria identidade.

Fukuyama alegou que este movimento no mundo islâmico era em vão, e que o ocidente podia supera-lo com a sua civilização e tecnologia. Estas tentativas eram por isso em vão. Fukuyama teve razão durante o processo que se viveu. Mas a sua justiça era injusta, cruel e faltava muito. Os movimentos liberais no mundo islâmico foram repelidos não pela civilização ocidental, mas sim pelos mísseis, aviões de caça, bombas e baionetas dos soldados. Enquanto no mundo islâmico milhões de pessoas foram mortas com gosto, não surgiu nenhuma reação dos filósofos, pensadores e autores, que defendem a civilização ocidental libertária e liberal. Pelo contrário, alguns autores e pensadores tentaram receber esta agressão do ocidente com compreensão. Além disso, transformaram esta agressão destrutiva num conceito, com a teoria da “guerra preventiva”. Segundo eles, esta conversão no mundo islâmico não foi possível de travar e atingiu uma dimensão que poderia prejudicar os valores do ocidente e da sua civilização.

O ocidente deve iniciar a guerra provável nas terras onde começou esta mudança e a conversão, ou seja, no mundo islâmico. Os “intelectuais” posteriores a Fukuyama, depois de criarem a legitimidade intelectual da guerra, os EUA e o Reino Unido, as forças armadas do ocidente, consideraram como “o diabo” o regime do Afeganistão que antes apoiaram e reconheceram juridicamente, bem como a Somália, o Sudão e outros. Aplaudiram de pé, não se conformando com ver a destruição causada pelo golpe militar contra o Partido do Bem Estar (o Partido Refah) e o Hamas, que apareceram à frente do seu país através de um sistema de eleições totalmente justo e no caminho democrático em que entraram. E um passo depois de isto, tínhamos o massacre dos muçulmanos na Bósnia Herzegovina, e os 4 milhões de civis mortos no Afeganistão, Iraque, Síria, Somália, Iémen e Líbia, para além dos milhões que ficaram feridos. Dezenas de milhões de pessoas tornaram-se refugiadas. Cada palmo de terra em que entrou a civilização ocidental a pretexto da “guerra preventiva”, foi pontado com o sangue dos muçulmanos.

O ocidente, perante o possível perigo do “Mundo Ocidental”, enquanto utiliza todas as tecnologias e armas mortais, foi sendo sacudido com o som crepitante dentro de si mesmo. Na Áustria, o partido da extrema direita terminou a corrida na primeira posição. A situação era igual na Alemanha, na Europa do Norte e em França. O racismo e a “alienação” avançaram a toda a velocidade.

Uma fação da Europa ocidental tenta recusar esta abordagem mais “à direita”, pelo menos por agora. Infelizmente, a democracia liberal ocidental que significa a força eterna, capaz e firme que foi consagrada por Fukuyama, tal como a sua onda não foi possível de ser travada na Europa, também chegou aos Estados Unidos.

A indigestão causada pelas eleições nos EUA significa que: converter as cidades em campos de batalha por parte do povo que saiu às ruas, e destruir a ala liberal e libertária da civilização do ocidente. É claro que este conceito liberal e libertário, e mais uma vez sem seguir a definição das enciclopédias, tem que definir novamente a consideração que consagra o ocidente e os valores ocidentais.

O ocidente atual era uma ala do mundo novo que foi estabelecido com o Tratado de Yalta. Em 1 991, caiu a ala leste, ou seja, o sistema soviético. Dentro deste sistema, até o líder de Cuba – que perdeu a vida há alguns dias – Fidel Castro, sugeriu que todas as propostas comunistas eram ricas.

Na ala do ocidente, a relação entre capital e trabalho, a não divisão igualitária do mecanismo de justiça em todos os estratos da sociedade, e a existência de uns mais iguais do que outros, deu origem aos seu próprio final. Os crimes de ódio, tentando mostrar-se como “direitos” do mundo ocidental, começaram a vencer os seus próprios filhos. Não o ocidente que comeu os filhos do Mundo Islâmico, de facto desde o ano de 1 991. Mas sim o final da história para a civilização do ocidente liberal.

Os políticos ocidentais, depois do desafio do presidente Erdogan da República da Turquia, fazem grandes esforços para continuar as relações entre a Turquia e a UE. Porque sabem que no dia em que o estado da República da Turquia anunciar que já não é candidato a fazer parte da UE, a aliança sagrada do ocidente liberal, oficialmente e de facto, será o fim da história ocidental liberal. Não sei se será uma ironia do destino ou da história. Vai para além da ironia, de que está entre os dois lábios do líder de um país muçulmano, a vida da civilização ocidental liberal, consagrada e apresentada perante nós como uma divindade terrena inalcançável.



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