Sinop, a capital das colónias gregas no Mar Negro

“Sai daí que me estás a tapar o Sol!” – disse Diógenes de Sinop a Alexandre o Magno.

Sinop, a capital das colónias gregas no Mar Negro

Sinop é uma cidade situada no local onde a península se liga por terra com as margens do Mar Negro. A cidade está posicionada mesmo no centro da costa do Mar Negro e é uma das referências urbanas do Norte da Turquia.

Sinop foi criada como uma colónia durante a antiguidade, devido à sua posição geográfica e por ter um porto naturalmente protegido.

Existem diferentes lendas acerca da fundação de Sinop. Zeus, conhecido por ser um mulherengo, apaixonou-se por Sinope – filha do deus fluvial Asopo. A jovem, pensando que não poderia fugir de Zeus, negociou com ele para defender a sua honra. Zeus, muito contente pela conduta honrada de Sinope, levou-a até Sinop nas margens do Mar Negro. A cidade ficou então com o nome de Sinope, e ter-se-ia desenvolvido após esse momento.

A região, conhecida pela existência de muitos assentamentos desde o período hitita, foi habitada por muitas civilizações. Esta região foi palco de guerras entre grandes potências e várias vezes ocupada. Um dos grandes imperadores que visitou Sinop, foi Alexandre o Grande.

Alexandre o Grande, visitou o famoso filósofo Diógenes de Sinope. Diógenes foi exilado na sua cidade natal e daí seguiu para Atenas, onde se transformou num discípulo de Antístenes – o mais antigo aluno de Sócrates. Diógenes viveu como um vagabundo nas ruas de Atenas, transformando a pobreza extrema numa virtude. Diz-se que ele vivia numa vasilha de barro em vez duma casa, e que um dia, ao caminhar pelas ruas com uma lamparina acesa, dizia que “procurava homens honestos”. Segundo uma lenda, Alexandre o Magno, quis conhecer o filósofo Diógenes que vivia numa vasilha de barro em vez duma casa. Alexandre o Grande pôs-se à sua frente e disse: “Sou Alexandre o Grande”, ao que Diógenes respondeu “e eu Diógenes o cão”. Alexandre perguntou-lhe então “Por que te chamam Diógenes, o cão?”. Diógenes respondeu dizendo “porque agradeço aos que me dão, ladro aos que não me dão e mordo às pessoas más”. Alexandre o Grande não se deixou impressionar por esta resposta e disse “pede-me o que quiseres”. Sem hesitar, Diógenes respondeu “Sai daí que me estás a tapar o Sol!”. Esta reação deixou todos os presentes estupefactos, impressionados pelo seu pedido tão insignificante, perante um homem que lhe podia dar tudo.

Diógenes tinha uma abordagem cínica que recusava a civilização. Ele tentou viver longe da civilização, estando dentro da civilização.

Sinop foi conquistada pelos turcos, que chegaram à Anatólia em 1 085 e se instalaram neste território depois do domínio do império romano e do império romano do oriente. Os seljúcidas da Anatólia compreenderam a importância de Sinop para o comércio no Mar Negro, e por isso deram a esta região uma importância especial e não quiseram perder o seu controlo. Algumas igrejas no centro da cidade foram transformadas em mesquitas, ao mesmo tempo que se construíram muitas obras islâmicas. A mais importante delas todas foi a Mesquita de Aladino.

As baías dos dois lados da península foram um porto natural para os navios. A fortaleza, restaurada pelos seljúcidas, servia também como estaleiro. A fortaleza seria mais tarde usada também como prisão, e viria a ganhar a alcunha de prisão de Alcatraz da Anatólia, por estar rodeada de muralhas altas e pelo mar. Apenas duas pessoas conseguiram fugir desta prisão, mas acabariam por ser recapturadas pouco depois. O poeta turco Sabahattin Ali, escreveu em 1 933 uma canção que popularizou a fortaleza onde foram presas muitas caras famosas da Turquia.

“Dışarda deli dalgalar, gelir duvarları yalar.

Seni bu sesler oyalar, aldırma gönül aldırma”.

“As ondas gigantes do mar, batem contra as muralhas. As vozes das ondas dão-te consolo, não te preocupes”.

A prisão na fortaleza, foi entretanto transformada num museu. Sinop aguarda os seus visitantes, tendo centenas de belezas culturais e naturais para oferecer. Em Sinop poderá visitar mesquitas, madraças e o Museu de Arqueologia e Etnografia.



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