Kalin: “Os países ocidentais abstiveram-se de falar sobre os golpistas”

A maioria do povo turco teve a impressão de que os Estados Unidos albergam Gulen, permitindo que este se aproveite para interesse próprio do sistema legal norte-americano.

Kalin: “Os países ocidentais abstiveram-se de falar sobre os golpistas”

Ibrahim Kalin, o porta voz da presidência da Turquia, assinalou que a intentona golpista da FETO / PDY ficou marcada na história da Turquia como uma noite escura.

“Graças à valente resistência e à consagração da nação turca, a noite escura foi seguida por uma nova força brilhante. Depois do golpe falhado, surgiu um consenso social contra a intentona golpista do 15 de julho, levada a cabo pela FETO / PDY, que “é uma fonte de força para a democracia turca”.

“Este consenso tem que ver com a defesa da democracia, da liberdade e a supremacia do estado de direito face a todas as ameaças, internas e externas. Milhões de pessoas de diversas classes sociais e com diferentes ideias políticas, saíram às ruas na noite de 15 de julho para pôr fim à tentativa de golpe de estado. Todos os partidos políticos manifestaram uma postura de princípio. No passado dia 25 de julho, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan reuniu-se com Kemal Kiliçdaroglu - o líder do Partido Republicano do Povo (CHP) – e com Devlet Bahçeli, o líder do Partido da Ação Nacionalista (MHP).

Kiliçdaroglu anunciou que Fethullah Gulen, que está por detrás deste golpe, tem que ser extraditado para a Turquia. Bahçeli e outros, apoiaram a tomada de posição de Kiliçdaroglu.

A grande maior parte da nossa sociedade, partidos políticos e ONGs de diversos ideais políticos, apoiaram a petição para a extradição de Gulen”.

“Estamos certos de que os Estados Unidos irão colaborar com Ancara para a extradição de Gulen”.

Descartar este consenso será um grande erro para os Estados Unidos e para a Europa. A maioria do povo turco teve a impressão de que os Estados Unidos albergam Gulen, permitindo que este se aproveite para interesse próprio do sistema legal norte-americano. Gulen é uma ameaça contra a segurança da Turquia, tal como o é um delinquente perigoso para os Estados Unidos.

Foram iniciadas muitas investigações sobre os colégios de Gulen, falsificação de vistos e branqueamento de dinheiro. Se se permitir que Gulen use de uma forma ou de outra o sistema americano, muitos pensarão que isso será dar apoio a Gulen. E isso só vai aumentar o sentimento anti-americano nos Estados Unidos.

“Até nos acusam de termos orquestrado este golpe de estado”

Kalin lista desta forma os testemunhos dos membros da FETO / PDY, capturados depois de 15 de julho, a todos os que pedem provas: “o chefe do Estado Maior Hulusi Akar, disse aos investigadores que o capitão general Hakan Evrim – um dos que o prendeu – lhe ofereceu a possibilidade de falar com Gulen para mudar de ideias relativamente ao golpe.

O assistente de Akar, o tenente-coronel Levent Turkkan, disse que era membro da FETO. Turkkan confessou ter recebido a ordem do seu “irmão mais velho”, na sua base dentro da organização. Turkkan anunciou que teve conhecimento do golpe um dia antes do ataque, a 14 de julho, e que havia confidencialidade e cautela por parte do seu grupo.

O comandante do 2º Corpo do Exército, o capitão general Ozkan Aydogdu, disse que ele mesmo deu a ordem para que os tanques e as tropas avançassem para as pontes: “Fui educado para obedecer às ordens e tentei cumpri-las. Cumpri uma ordem que pensava ser legítima”.

Kemal Isikli, o ex-especialista da Agência de Regulação e Supervisão Bancária (BBDK), disse que cumpriu o seu papel de “irmão mais velho” dentro da hierarquia da FETO, e que dirigiu as tropas especiais que irromperam pelo hotel onde estava alojado o presidente durante a intentona golpista. O diretor dos Serviços de Informação da Chefia da Jandarmeria Provincial de Ancara – o major Erhan Karlidag – confessou que “a FETO levou a cabo a intentona. Foi preparada uma lista com 3 mil pessoas e tínhamos tido a notícia de que nos iam expulsar do Conselho Militar Supremo em agosto de 2 016”.

O suboficial Oguz Haksal, irrompeu num clube para reter o comandante da Força Aérea Abidin Unal e outros 8 generais. Haksal confessou que a invasão foi levada a cabo por ordem do espião da FETO, Yilmaz Bahar.

O ex-vice presidente dos Serviços de Informação, Gursel Aktepe, assinalou que “é impossível que ocorra um golpe de estado sem o conhecimento ou as ordens de Gulen. Recebemos mensagens através de uma app chamada Tango. A mensagem era “Está a ser feito um golpe. Todos deverão apoia-lo e ficar perto dos seus locais de trabalho. Comunicar com o general Mehmet”.

Algumas esferas ocidentais não conseguiram perceber a gravidade dos factos do 15 de julho. Algumas, em vez de apoiar a Turquia, continuam mais preocupadas em dar lições de democracia e de direito. Até nos acusam de “termos orquestrado um golpe de estado”.

“Os países ocidentais abstiveram-se de dizer alguma coisa sobre os golpistas”.

“Os aliados ocidentais da Turquia sofrem uma desilusão e uma surpresa ao não dar valor à forma como foi repelida uma grande ameaça contra a nossa democracia, e não entendem a seriedade do golpe que causou a morte de tantos civis inocentes. Os países ocidentais condenaram o golpe, mas não disseram nada sobre os golpistas. É uma grande vergonha que nenhum dos líderes europeus ou responsáveis máximos da UE tenham visitado a Turquia depois de 15 de julho”.

“A filtragem dos elementos da FETO no aparelho do estado, causou grandes danos e instabilidade, e culminou na intentona golpista de 15 de julho. Tal como o PKK; a FETO abusa do sistema jurídico na Europa e nos Estados Unidos para conseguir proteção. E esta situação tem que ter um fim. As pessoas pedem que esta situação tenha um fim. Queremos justiça”.

Relativamente às detenções e aos despedimentos como parte do estado de emergência, o porta voz declara: “A purga dos gulenistas do aparelho estatal não é nada diferente do processo do Acordo de Unificação das duas Alemanhas em 1 990. Cerca de 500 mil funcionários da Alemanha de Leste foram afastados ou despedidos. A maioria deles foram expulsos do seu trabalho cerca de 6 meses depois. Pouco depois da unificação, foram despedidos todos os generais e almirantes do exército da Alemanha de Leste. Só se permitiu o acesso de um pequeno número de soldados de baixas patentes ao novo exército alemão. Para além dos funcionários públicos e militares, foram despedidos académicos, professores, diplomatas e jornalistas, com ligações ao antigo regime. As autoridades alemãs tomaram estas medidas para garantir uma transição suave rumo à Alemanha unida.

A Turquia superou uma tentativa de golpe de estado sangrento e neste momento tenta salvar-se dos resultados letais desta situação”.

Os que realmente dão importância à democracia na Turquia, deverão apoiar a luta do país contra os membros golpistas da comunidade de Gulen. O consenso geral que surgiu depois da tentativa de golpe de estado de 15 de julho e sobre o papel da FETO nesta situação, é uma fonte de força e resistência para a democracia turca.

O governo irá implementar novas reformas estruturais para impedir futuras tentativas de golpe de estado, consultando com os partidos da oposição. Estas medidas irão assegurar que os princípios da transparência e da responsabilidade sejam os valores básicos da democracia e da administração. Este é o método para inculcar a confiança no estado e no exército, para que não voltem a ser cometidos estes crimes como o golpe de 15 de julho.



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