Ex-presidente da mineradora Vale e 15 outras pessoas, denunciadas pela mais grave tragédia ecológica

Na terça-feira, o Ministério Público denunciou 11 funcionários da gigante de mineração e cinco outros trabalhadores de uma empresa alemã pela morte de 270 pessoas no colapso da barragem de Brumadinho.

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Ex-presidente da mineradora Vale e 15 outras pessoas, denunciadas pela mais grave tragédia ecológica

Em 25 de janeiro do ano passado, uma barragem onde o lixo mineral foi armazenado em um complexo da mineradora Vale quebrou na cidade brasileira de Brumadinho e causou um mar de lama que matou 270 pessoas, poluiu rios e deixou um rastro de destruição ambiental inesquecível. Quase um ano após o mais grave desastre ecológico do Brasil, as primeiras denúncias contra os supostos autores são apresentadas à justiça.

O Ministério Público denunciou o ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, e outras 15 pessoas por homicídio culposo, um crime que se pretende matar. De acordo com as leis brasileiras, os condenados por esse crime podem cumprir entre 12 e 30 anos de prisão.

O que os promotores argumentam na denúncia é que todos os réus participaram das decisões que mantiveram as atividades da barragem, embora soubessem de seus "riscos inaceitáveis". Eles também foram denunciados por crimes ambientais, bem como pelas empresas Vale e Tüv Süd. No entanto, esses crimes têm penas mais brandas.

A mineradora Vale, responsável pela estrutura desmoronada, enviou periodicamente uma série de documentos sobre a barragem B1 de Brumadinho à Agência Nacional de Mineração (ANM), o órgão do governo brasileiro que controla todas as barragens de mineração do país.

De acordo com as leis do Brasil , as próprias empresas devem contratar empresas independentes para confirmar a estabilidade dessas estruturas. No caso de Brumadinho, a Vale havia contratado a empresa alemã Tüv Süd para fazê-lo.

No entanto, investigações indicam que o gigante da mineração omitiu informações sobre os riscos de colapso não apenas na barragem de Brumadinho, mas também de nove outros sob sua responsabilidade.

O Ministério Público afirma ter evidências de que a empresa sabia desses riscos pelo menos desde novembro de 2017, quando produziu documentos internos confidenciais com uma classificação das barragens mais perigosas.

Mesmo assim, dizem os pesquisadores, a Vale agiu como uma "ditadura corporativa" e pressionou as empresas responsáveis ​​pelo estudo da segurança dessas estruturas. O alemão Tüv Süd, entretanto, teria cedido a essas pressões da gigante da mineração e se tornado protagonista no trabalho de "maquiagem" da verdadeira situação da barragem.

"As duas empresas impuseram à sociedade brasileira o risco de que elas decidissem que a sociedade deveria correr", disse o promotor William Garcia. A polícia e as autoridades do Ministério Público que atuaram na investigação do desastre disseram que a Vale tinha um sistema interno Gerenciamento confidencial de riscos de suas atividades, no qual possuía informações sobre os riscos de colapso de suas barragens e também quais eram os custos financeiros de uma possível desagregação.

Fabio Schvartsman está fora da empresa há cerca de dez meses. Ele deixou o cargo por causa de uma demanda do Ministério Público, que indicava que ele tinha indicações de que estava envolvido nas decisões que levaram ao desastre.

Os advogados de Schvartsman disseram que a denúncia feita à justiça brasileira é "injusta" e que nem todas as investigações estão concluídas. De fato, a Polícia Federal ainda investiga o caso em paralelo e deve anunciar os resultados em junho próximo.

Enquanto isso, Vale disse que estava "perplexa" com as queixas de homicídio culposo. A empresa alemã Tüv Süd, que parou de analisar a estabilidade das barragens após a tragédia de Brumadinho, disse que colabora com as autoridades do Brasil e da Alemanha para esclarecer o caso.



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