ONU: com Idlib em guerra, a Síria enfrenta uma "grave crise"

O funcionário da ONU disse que as pessoas deslocadas de Idlib se concentram na fronteira, numa altura em que a Turquia já acolhe mais refugiados sírios do que qualquer outro país, com mais de 3,6 milhões de sírios.

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ONU: com Idlib em guerra, a Síria enfrenta uma "grave crise"

AA - O noroeste da Síria enfrenta uma "grave crise de proteção", com mais de três milhões de pessoas presas numa zona de guerra - alertou a ONU na segunda-feira.

“Há uma grave crise de proteção no noroeste da Síria. Essa é a questão fundamental ” - disse Mark Cutts, o coordenador humanitário regional das Nações Unidas para a crise síria, em declarações aos jornalistas em Genebra.

"Mais de três milhões de civis estão presos numa zona de guerra e os combates obrigam as pessoas a concentrarem-se em espaços cada vez mais reduzidos, perto da fronteira com a Turquia" - afirmou Cutts.

O funcionário da ONU disse que as pessoas deslocadas de Idlib se concentram na fronteira, numa altura em que a Turquia já acolhe mais refugiados sírios do que qualquer outro país, com mais de 3,6 milhões de sírios.

Embora Ancara já tenha declarado que não espera mais fluxos de refugiados, o coordenador humanitário acrescentou que "a Turquia também apoia a operação humanitária transfronteiriça" e disse que a ONU trabalha em estreita colaboração com a Turquia, para garantir que a fronteira permanece aberta: "Esta é uma tábua de salvação vital para milhões de pessoas no noroeste da Síria".

Idlib é um bastião da oposição e dos grupos armados contra o governo, desde o início da guerra civil síria em 2011.

Em setembro de 2018, a Turquia e a Rússia concordaram em fazer de Idlib uma zona de arrefecimento do conflito, na qual os atos de agressão são expressamente proibidos.

Mas mais de 1.800 civis morreram em ataques do regime e das forças russas desde essa altura, ignorando o cessar-fogo de 2018 e um novo cessar fogo que entrou em vigor em 12 de janeiro.

A luta está agora "a aproximar-se perigosamente" da zona onde mais de um milhão de pessoas vivem em tendas e abrigos improvisados, numa "situação extremamente alarmante devido a ataques aéreos e bombardeios” – indicou Cutts, que acrescentou o seguinte:

“Se continuarem a chegar pessoas a esta zona, sem dúvida veremos um verdadeiro banho de sangue, um verdadeiro massacre de civis".



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