Economia brasileira em recessão depois de contração de 1,9%

Dois trimestres consecutivos de crescimento negativo significa que a maior economia da América Latina está de volta em recessão.

Economia brasileira em recessão depois de contração de 1,9%

O Brasil está de volta em recessão depois dos números oficiais anunciados na sexta-feira mostrarem uma contração de 1,09% no segundo trimestre de 2015 na maior economia da América.

Os números oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, indicam que a economia encolheu em 1,9% entre abril e junho, depois de uma redução revista de 0,7% no primeiro trimestre do ano significativamente pior do que o resultado anunciado anteriormente de -0,2 por cento.
A recessão técnica é definida como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.

Os números do segundo trimestre representam uma contração de 2,6% ano-a-ano - o quinto ano consecutivo figura nessa comparação.

"Recessão é...um período de declínio global da atividade econômica, e isso é algo que vem acontecendo na economia brasileira desde o segundo trimestre de 2014", conforme citado o pesquisador do IBGE, Paulo Picchetti pelo jornal Folha de São Paulo.

Os resultados também mostraram que os investimentos recuaram em 8.1% em relação ao trimestre anterior, enquanto a produção de construção caiu 8,4% e gastos familiarem diminuiram 2,1%.

A atividade industrial no período diminuiu 4,3% no segundo quadrimestre em comparação com o primeiro, uma tendência que de acordo com os relatórios do site de notícias de negócios Valor Econômico irá se agravar ainda mais nos próximos meses, devido à acumulação de estoques e queda acentuada na demanda.

Os resultados negativos também foram vistos em outros setores, incluindo os de transportes, serviços financeiros e de seguros.

O último resultado trimestral é o segundo pior nos últimos tempos, depois que a economia recuou 2,2% no primeiro trimestre de 2009 - o que em si também coloca o Brasil numa recessão técnica após um crescimento negativo no último trimestre de 2008.

Embora a notícia tenha sido amplamente antecipada, ainda veio como um duro golpe para a presidente Dilma Rousseff, que está tentando aumentar tanto a confiança nacional, quanto internacional em sua liderança política e econômica, através da implementação de um conjunto de medidas de austeridade impopulares para trazer a recuperar a economia do Brasil.

A instabilidade política também tem visto investidores recuarem, com o vice-presidente Michel Temer se distanciando da presidente e afastando-se de seu papel de ligação política, na qual ele suavizou as relações entre o governo e o Congresso.

A economia também foi prejudicada por um escândalo de corrupção na empresa de petróleo estatal Petrobras, que tem visto bilhões de dólares desviados do país.

Uma recente pesquisa do Banco Central de economistas de mercado no Brasil sugeriu que a economia iria encolher 2,06% este ano, seguido por uma contração menor de 0,24% em 2016.


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