China desvaloriza iuan após novos números da inflação

A China desvalorizou, esta terça-feira, a sua moeda, devido a resultados económicos fracos, entre eles a inflação, numa medida que classificou como uma reforma para libertar os mercados, mas que alguns suspeitam que pode ser o início de uma queda mais longa do valor da moeda chinesa.

China desvaloriza iuan após novos números da inflação

O banco central chinês fixou a taxa oficial quase 2 por cento abaixo do nível anterior, antes da abertura do mercado, a 6,2298 iuanes por dólar --patamar mais baixo em quase três anos-- contra 6,1162 do dia anterior. O banco central disse que a decisão é uma mudança na metodologia para tornar o câmbio mais reativo às forças do mercado.

"Uma vez que a balança comercial da China continua a registrar superavits relativamente grandes, a taxa de câmbio efetiva do iuan ainda está relativamente forte em relação a várias moedas globais e diverge das expectativas do mercado", disse o banco central.

"Portanto, é necessário aprimorar mais o ponto médio do preço do iuan para atender as necessidades do mercado".

O Banco do Povo da China chamou a medida de uma "depreciação não recorrente", mas os economistas estão divididos sobre o significado da medida.

Aparentemente, a decisão reverteu a recente política de manutenção do iuan forte, que tem ajudado a impulsionar o consumo doméstico e os investimentos no exterior.

"Por muito tempo dei crédito ao BC chinês por se manter firme sobre o iuan e reconhecer que, embora pudesse ser tentador tentar fortalecer o modelo antigo de crescimento baseado em depreciação cambial, isso era na verdade um beco sem saída", disse o economista Patrick Chovanec.

Chovanec reconheceu que um iuan mais fraco pode refletir melhor a procura atual do mercado, mas afirmou que um iuan valorizado serviria para um objetivo mais importante: promover uma "dolorosa" transformação da economia, afastando-se da manufatura de baixo custo e caminhando na direção ao consumo.

"O que o mundo necessita da China não é mais oferta; o mundo precisa de procura".

Outros economistas disseram que a medida pode, no entanto, pode aliviar a frustração entre os operadores de câmbio com a mão pesada do governo no mercado e apontaram que quase todos os vizinhos da China desvalorizaram as suas moedas, enquanto a China continuou firme.

Embora a redução da taxa de câmbio não vá corrigir todos os males do setor de exportação da China, que sofre com custos trabalhistas crescentes e problemas de qualidade, o economista da Founder Securities Guo Lei disse que a medida ajudará a aliviar a pressão deflacionária, uma preocupação económica muito mais importante.


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