O coronavírus, uma nova oportunidade para a Amazônia?

O Equador propôs a construção de uma agenda ambiental entre os países signatários do Pacto de Letícia para enfrentar o cenário que surge após o COVID-19.

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O coronavírus, uma nova oportunidade para a Amazônia?

O Ministério do Meio Ambiente e Água do Equador anunciou que promoverá a construção conjunta de uma agenda ambiental entre os países signatários do Pacto de Letícia para enfrentar o cenário que surge após a crise do COVID-19.

A agenda regional poderia ser construída pela Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Brasil, Suriname e Guiana, países que assinaram o pacto. O foco seria o "renascimento produtivo sustentável e a promoção da bioeconomia", informou o ministério em comunicado oficial em 14 de abril.

O então ministro equatoriano Juan DeHowitt enfatizou que essa pandemia é um "alerta" para repensar a importância que a região dá à mudança climática, à proteção ambiental e à conservação de áreas protegidas em um cenário pós-COVID-19. Ele acrescentou que as agendas de desenvolvimento dos países da região são vitais para enfrentar os desafios subsequentes, "sociais e ambientais".

Essa agenda seria uma ferramenta inovadora e poderia criar uma meta específica entre os países da região. Mas, acima de tudo, seria uma oportunidade para manter a Amazônia viva.

Martha Isabel Gómez, doutora em Estudos Políticos e professora de pesquisa na Faculdade de Finanças, Governo e Relações Internacionais da Universidade Externado da Colômbia, explicou que essa iniciativa seria muito importante porque permite dinamizar o Pacto Letícia e promover a integração regional, mas também porque é globalmente importante devido à natureza estratégica dessa floresta tropical.

"A Amazônia desempenha um papel fundamental no mundo e pode ser apresentado um ponto de virada no sistema climático, no qual o ecossistema muda de uma das maiores florestas tropicais do mundo para uma savana", explica Gómez.

Os números do desmatamento sustentam a afirmação do pesquisador. Em novembro de 2019, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) do Brasil indicou que entre agosto de 2018 e julho de 2019 o país perdeu 9.762 quilômetros de vegetação, um aumento de 29,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na Colômbia, a situação não é mais animadora. A área florestal da Amazônia colombiana é de 39,9 milhões de hectares e, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), possui uma taxa anual de desmatamento de 82.883 hectares por ano.



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