Dia caótico deixa a Venezuela em incerteza legislativa

A oposição, liderada por Juan Guaidó, alega que Luis Parra chegou à presidência da Assembleia Nacional através de uma nomeação de fato e com subornos pagos pelo Chavismo.

Dia caótico deixa a Venezuela em incerteza legislativa

(Serviço AA em espanhol)

O dia de domingo em Caracas, a capital da Venezuela, foi marcado pelo caos. O que parecia ser uma votação processual para reeleger Juan Guaidó como presidente da Assembleia Nacional (AN), transformou-se em caos político quando a oposição perdeu a liderança do parlamento e o partido no poder colocou um dos seus elementos no topo do poder legislativo.

Enquanto Guaidó e vários outros deputados da oposição foram impedidos pela Guarda Nacional Bolivariana de entrarem no hemiciclo, Luis Parra, um ex-opositor de 41 anos que foi acusado de corrupção, foi empossado como o novo presidente da AN, com o Apoio do governo venezuelano.

Desta forma, Nicolás Maduro deu um grande passo para tomar o último poder estatal que lhe faltava controlar: a Assembleia Nacional, antes dominada pela oposição.

Guaidó disse que Luis Parra, Franklin Duarte (o primeiro vice presidente da AN) e José Gregorio Noriega (segundo vice presidente), garantiram a sua nomeação através de uma nomeação de fato e devido ao pagamento de subornos no âmbito da chamada "Operação Alacrán", uma manobra presumivelmente dirigida pelo chavismo para tomar o poder no Parlamento.

Segundo a oposição, Luis Parra, juntamente com outros seis deputados, fazem parte de uma rede de corrupção dentro do programa de caixas de alimentos do CLAP. Devido a este escândalo – que foi exposto em dezembro passado - Parra foi expulso do partido da Primeira Justiça (PJ).

Guaidó também enfatizou que o juramento de Parra represneta o "assassinato da República e o desmantelamento do Estado de Direito". Para lidar com essa situação, Guaidó pediu a instalação da nova direção do Parlamento na sede do jornal El Nacional.

Perante esta situação, vários governos do mundo expressaram a sua insatisfação com a tomada de posse de Parra.

Os Estados Unidos foram os primeiros a pronunciarem-se sobre esta situação. Na conta do Twitter da embaixada americana na Venezuela, foi publicada a seguinte mensagem: “ALERTA: O que o regime está a fazer agora na AN é completamente contra a vontade do povo e as leis que governam o processo. A democracia não pode ser intimidada”.

A tomada de posse de Parra semeia sérias dúvidas sobre a forma como ele se tornou líder do poder Legislativo, enquanto a nova auto-proclamação de Guaidó enquanto presidente da Assembleia Nacional abre mais incertezas quanto à legitimidade do seu cargo.



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