Bolsonaro culpa ONGs por incêndios graves na Amazônia

Segundo o presidente, o incêndio que assola a floresta amazônica teria sido causado como uma represália para cortar recursos oficiais das organizações, mas não apresentou nenhuma evidência.

Bolsonaro culpa ONGs por incêndios graves na Amazônia

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, culpou as organizações não-governamentais (ONGs) na quarta-feira pelos incêndios que a Amazônia enfrenta.

Segundo o presidente, o incêndio teria sido causado em retaliação pelo corte de recursos oficiais para essas organizações.

“Acabamos com transferências de órgãos públicos para ONGs, então eles estão perdendo dinheiro. Portanto, pode haver uma ação criminosa desses 'ongueiros' para chamar a atenção contra mim, contra o governo do Brasil”, disse Bolsonaro do Palácio da Alvorada em Brasília.

No entanto, o presidente não apresentou nenhuma evidência de sua hipótese. "Não estou afirmando, mas na minha opinião, há interesse dessas ONGs que representam interesses de fora do Brasil", afirmou, confirmando que seu governo fará "tudo o que for possível e impossível" para conter esses incêndios.

Incêndios aumentam mais de 80% em relação ao ano passado

Esta quarta-feira marca um recorde de 16 dias de fogo na selva amazônica. Conforme relatado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe, por suas iniciais em português), existem 72.843 incêndios no país, um aumento de mais de 80% em relação ao mesmo período de 2018.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) disse que a quantidade de fontes de calor na Amazônia "já é 60% maior do que nos últimos três anos" e que esse aumento está relacionado ao desmatamento", não uma seca mais forte como se poderia supor.

O programa de observação da Terra da União Europeia, Copérnico, publicou um mapa que revela como a fumaça dos incêndios chega à costa atlântica do Brasil e da cidade de São Paulo.

Mesmo os gráficos de Copérnico mostram que a área afetada por fogo e fumaça é quase a extensão de países como Venezuela, Bolívia, Colômbia ou Peru.

Os incêndios se alastraram para além do estado do Amazonas, o que criou um gabinete de crise da situação que tende a agravar-se a partir de setembro, e chegou aos estados de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso de Sur, próximo à fronteira com a Bolívia e o Paraguai.

 

AA - Diego Camilo Carranza Jimenez   

Foto: Emin Mengüarslan 



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