Governo venezuelano convoca protestos para recusar o relatório de Bachelet

O relatório, redigido entre 19 e 21 de junho, denunciou "graves violações dos direitos humanos no país".

Governo venezuelano convoca protestos para recusar o relatório de Bachelet

O presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela (ANC), Diosdado Cabello, convocou para o próximo sábado uma série de manifestações para protestar contra o relatório apresentado por Michelle Bachelet, a Alta Comissárias das Nações Unidas para os Direitos Humanos, sobre a crise na Venezuela.

"Convocamos uma manifestação para o próximo sábado, para protestar contra o relatório apresentado pela senhora Bachelet pois nós temos argumentos: já ela não tem forma de provar o que diz. Sabiamos que isto ia acontecer" - indicou Cabello.

O relatório, redigido entre 19 e 21 de junho, denunciou "graves violações dos direitos humanos no país" e o enfraquecimento dos direitos económicos, sociais, civis, políticos e culturais dos venezuelanos.

O documento foi elaborado a pedido do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que deixou um aviso: "se a situação não melhorar, irá continuar o atual êxodo sem precendentes de emigrantes e refugiados que deixam o país, uma situação que irá fazer piorar as condições de vida daqueles que permanecem na Venezuela".

O governo de Maduro fez 70 observações sobre o documento, pois considera que omite as políticas sociais que ajudam a mitigar os impactos da crise económica e do bloqueio económico.

Cabello garantiu esta segunda feira que "o documento não foi redigido pela Alta Comissária da ONU, mas sim pelo Representante Especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliot Abrams, que quer colocar a nação bolivariana numa situação de desvantagem na questão dos direitos humanos. Bachelet limitou-se a assinar o relatório".

A presidente da ANC disse também que apoiaa proposta de diálogo que está a ser discutida em Barbados, entre representantes do governo e da oposição venezuelana.

"Apoiamos esta proposta de diálogo, independentemente de quem a convoque. Sempre que haja lugar, lá estará uma delegação da Revolução Bolivariana" - afirmou Cabello.

Durante uma conferência de imprensa em Caracas, ao lado do líder espiritual e embaixador da Índia para a paz, Sri Ravi Shankar, Maduro também se pronunciou com palavras severas sobre o relatório Bachelet: "Esse relatório está cheio de informações falsas e mentiras, para além de manipulações".

As declarações de Maduro sobre o relatório da ONU foram proferidas antes da nova ronda de negociações, e segundo ele este relatório representa uma "intervenção das forças imperialistas".

O líder venezuelano disse que quando se põem em prática boas intenções nas negociações, é impossível que este tipo de intervenções prejudiquem a Venezuela.



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