O Turkish Stream torna a Turquia num centro energético

O Turkish Stream transformará a Turquia num centro energético, e por outro lado facilitará também as exportações russas de gás natural diretamente para os países dos Balcãs. A análise de Can Acun, investigador da Fundação SETA.

O Turkish Stream torna a Turquia num centro energético

No dia 19 de novembro, os presidentes da Rússia e da Turquia, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, participaram na cerimónia de encerramento das obras de construção do troço marítimo do gasoduto Turkish Stream. Nos seus discursos nesta cerimónia realizada em Istambul, os dois presidentes sublinharam o desenvolvimento da colaboração entre os dois países.

O projeto Turkish stream é considerado como um passo vital para os planos da Turquia de se tornar num centro energético, e vem juntar-se ao Gasoduto de Gás Natural Trans-Anatoliano (TANAP), que irá levar o gás natural azeri para a Turquia e para a Europa. Estes projetos reforçam a posição da Turquia e das suas políticas energéticasö concretizadas com as iniciativas na linha de Ceyhan, que transporta o petróleo iraquiano para o mundo através da Turquia.

O projeto Turkish Stream, sugerido pelo presidente russo Vladimir Putin em dezembro de 2 014, extende-se da cidade russa de Anapa até à localidade turca de Kiyikoy, atravessando 930 kms no fundo do Mar Negro. O Turkish Stream, cujo nome foi dado por Erdogan, tem um comprimento total de 1 100 kms e é composto por dois gasodutos paralelos. Espera-se que o primeiro ramal do gasoduto faça face às necessidades energéticas da Turquia em termos de gás natural, com a sua capacidade de transporte de 15,75 mil milhões de metros cúbicos por ano. O segundo ramal do gasoduto, que será concluído numa segunda fase, irá transportar o gás natural russo para a Europa. No total, o Turkish Stream permitirá transportar 31,5 mil milhões de metros cúbicos de gás natural por ano.

Dmitriy Peskov, o porta voz do Kremlin, indicou que vários países estão a pensar fazer parte do Turkish Stream, o que fará com que o gasoduto possa chegar a vários países europeus através de 5 ramais diferentes. Por exemplo, o ministro da Energia da Sérvia, Aleksander Antic, indicou que uma possível extensão do Turkish Stream até à Sérvia garantirá a segurança energética da Europa: “A possibilidade de levar 10 a 15 mil milhões de metros cúbicos de gás natural russo a países como a Bulgária, a Sérvia, a Hungria e a Áustria através da Turquia, é uma grande oportunidade para a segurança energética da Europa. O projeto oferece oportunidades para o desenvolvimento do comércio de gás e para a economia baseada no gás. Estes países terão um benefício considerável com o trânsito de gás, ao ligarem-se ao Turkish Stream” – afirmou Antic.

Por outro lado, ainda não foi definido o itinerário que o projeto Turkish Stream irá seguir na Europa, na sua extensão fora da Turquia. Esta questão tornou-se num motivo de competição entre a Grécia e a Bulgária, dois países que querem ser a porta de entrada na Europa do Turkish Stream. O primeiro ministro grego, Alexis Tsipras, pediu que o Turkish Stream entrasse na Europa através da Grécia e disse que “estão a ser levados a cabo trabalhos intensos em Bruxelas para que o projeto atravesse a Grécia”.

O Turkish Stream transformará a Turquia num centro energético, e por outro lado facilitará também as exportações russas de gás natural diretamente para os países dos Balcãs.

As relações bilaterais entre a Turquia e a Rússia desenvolveram-se em várias áreas nos últimos tempos. O presidente Recep Tayyip Erdogan sublinhou a crescente cooperação económica, indicando que os dois países têm como objetivo chegar a um volume comercial de 100 mil milhões de dólares. A imprensa russa destacou o reforço dos laços entre os dois países e chamou a atenção para frequência dos contactos entre Putin e Erdogan.

Apesar das relações bilaterais entre a Turquia e a Rússia se estarem a reforçar, em particular na questão da política energética, ainda existem importantes problemas como a anexação da Crimeia pela Rússia, a guerra que continua na Ucrânia, as ações da Rússia contra os tártaros da Crimeia e as diferenças relativamente ao conflito na Síria. Apesar dos países tentarem agir de forma coordenada na Síria, algumas das abordagens a estas questões podem criar grandes problemas.

Esta foi a opinião sobre este assunto de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA)



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