A Cimeira do G-20 representa uma perspetiva importante para a Turquia

A avaliação do impacto da Cimeira do G-20 na economia e na política externa da Turquia. A análise do Dr Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Karatekin.

A Cimeira do G-20 representa uma perspetiva importante para a Turquia

No tempo atual, que traz riscos e oportunidades económicas para a Turquia, a Cimeira do G-20 representa uma perspetiva importante. No programa desta semana vamos avaliar o impacto da Cimeira do G-20 na economia e na política externa da Turquia, com a análise do Dr. Cemil Dogaç Ipek.

Nos últimos tempos a Turquia enfrentou sérios riscos e oportunidades. E por esse motivo, a Cimeira do G-20 é importante para a Turquia. Nos próximos dias será decidido o futuro da economia, uma das várias frentes da diplomacia turca que está a ser alvo de atenção especial. Como os nossos ouvintes certamente se recordam, teve lugar recentemente a Reunião dos Presidentes dos Bancos Centrais e dos Ministros das Finanças do G-20, no passado mês de julho em Buenos Aires, a capital da Argentina. Os ministros das finanças das 20 maiores economias do mundo e os presidentes dos bancos centrais desses países, estiveram reunidos durante dois dias.

Neste encontro, a Turquia foi representada pelo ministro das Finanças e do Tesouro, Berat Albayrak, e pelo presidente do Banco Central da República da Turquia, Murat Çetinkaya. Para além dos ministros das finanças e dos presidentes dos bancos centrais, esta reunião contou também com a presença de representantes das mais importantes organizações internacionais da área da economia e finanças, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

A subida das tensões comerciais foi o principal tema desta reunião, que pela segunda vez juntou os representantes dos 20 países responsáveis por 85% da economia mundial. As taxas alfandegárias que os Estados Unidos impuseram a muitos países, incluindo a União Europeia, o Canadá, o México e a China, deu origem a diversas represálias.

Para além do comércio internacional, durante a reunião do G-20 foram também abordadas questões como as criptomoedas, a fiscalidade e o emprego na era da inteligência artificial.

O que é o G-20 e que importância tem para a Turquia, num período em que a eco-política ganhou mais importância?

O G-20 foi criado a 26 de setembro de 1 999, durante a cimeira dos ministros das finanças do G7. O “Grupo dos 20” é um organismo internacional que reúne os líderes dos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, bem como os representantes da União Europeia. Durante as reuniões do G-20 são feitas negociações e trabalhos para aumentar a estabilidade financeira internacional. Os países que fazem parte deste grupo representam mais de 4 quintos do rendimento global do planeta e 3 quartos do comércio internacional.

Atualmente, o G-20 garante também um espaço de negociação para áreas mais alargadas e não apenas para políticas monetárias e de finanças, como por exemplo os investimentos em energia, comércio e investimentos em geral. Esta plataforma permite por isso reunir os peritos mais importantes dos países do G-20 e permite fazer a coordenação intergovernamental. É por isso uma oportunidade para que se troquem opiniões sobre estes assuntos.

O G-20 surgiu como uma plataforma de contacto, em resultado das insuficiências do FMI e do Banco Mundial na nova ordem global. As instituições do sistema de Bretton Woods deixaram de ser suficientes para fazer reformas, pelo que foi necessário criar uma nova entidade que permitisse encontrar soluções.

Como se sabe, o G-20 não tem um mecanismo que permita tomar decisões oficiais. Cada país membro manifesta as suas opiniões e as decisões são tomadas de acordo com o princípio da concordância. O G-20 define-se a si próprio como uma “plataforma extra-oficial em que se fazem discussões fundamentais sobre as questões económicas globais”. No final desta cimeira, que se realiza todos os anos, é publicado um comunicado que dá conta das opiniões e abstenções dos países. E é desta forma que os países se comprometem em alcançar os objetivos do comunicado.

Ao contrário de muitas organizações internacionais, o G-20 não tem funcionários permanentes, e nem sequer uma secretaria geral. A presidência do G-20 é assumida de forma rotativa. A presidência anterior, a atual e a próxima, decidem quais os temas e quais os oradores em cada Cimeira do G-20.

O G-20 é composto por subgrupos, como por exemplo o T-20 onde se reunem organizações de cariz ideológico, o L-20 onde se reunem as organizações ligadas à questão do trabalho e o Y-20, onde se reunem as organizações de juventude. Durante a sua presidência rotativa do G-20 em 2 015, a Turquia criou ainda o W-20, para juntar as organizações relacionadas com os direitos das mulheres.

A Turquia, por incluir tanto os países desenvolvidos como os países em vias de desenvolvimento, considera ter uma grande força de representação e considera que o G-20 é a plataforma mais adequada no aspeto da colaboração económica global e da coordenação. Por este motivo, Ancara dá importância a todas as atividades e reuniões do G-20 e move-se segundo o princípio da participação eficaz ao mais alto nível. Além disso, e tendo em conta o papel do G-20 no fortalecimento da administração económica global, a Turquia está a favor do fortalecimento do papel do G-20.

A Turquia, com a sua tradição de grande representação tanto dos países grandes e desenvolvidos como dos países em vias de desenvolvimento, considera que o G-20 é a plataforma mais adequada no aspeto da colaboração económica global e coordenação, e dá um apoio ativo aos trabalhos do G-20.

No dia 1 de dezembro de 2 014, a Turquia assumiu a presidência rotativa do G-20, tendo concluído a sua presidência com a Cimeira de Antalya, que teve lugar nos dias 15 e 16 de novembro de 2 015. No dia 1 de dezembro desse ano, a presidência do G-20 passou a ser assumida pela República Popular da China.

Enquanto se redefine o sistema económico mundial, a Turquia, e ao contrário do que aconteceu em períodos anteriores, não assume um papel de mero espetador que assiste de lado. A Turquia que está no G-20 já é um dos países mais importantes do mundo. As negociações para a adesão à UE e que continuam neste contexto, ganham assim uma importância funcional.

Tal como sublinha frequentemente o setor privado da Europa, para UE – quem tem uma grande força competitiva – é importante o apoio da Turquia.

Esta foi a opinião sobre este assunto do Dr Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Karatekin



Notícias relacionadas