As oportunidades e dificuldades em Idlib, depois do acordo de Sochi

A análise de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA).

As oportunidades e dificuldades em Idlib, depois do acordo de Sochi

A tentativa de resolver a questão de Idlib, que ultimamente está no topo da agenda, avançou com o acordo alcançado na cimeira de Sochi. A proteção e a conservação de Idlib, onde vivem 3,5 milhões de civis, dos ataques do regime, é de suma importância. Graças aos esforços e à postura determinada da Turquia, impediu-se uma eventual operação militar contra Idlib, que preocupava todo o mundo.

No âmbito do acordo alcançado entre a Turquia e a Rússia, concordou-se em criar uma zona desmilitarizada com uma largura de 15 a 20 kms, na linha da frente em Idlib. Segundo o acordo, as armas pesadas serão retiradas por ambas as partes do conflito. As organizações terroristas deverão também ser retiradas da região. Adicionalmente, as estradas M4 e M5, que ligam Latakya e Damasco a Alepo, voltarão também a ser abertas ao tráfego civil.

Apesar da Turquia e da Rússia terem assinado um acordo importante em Sochi, é possível que se criem obstáculos à implementação do acordo no terreno. As milícias xiitas apoiadas pelo Irão, constituem o maior problema para as fações das quais a Rússia é responsável. Na realidade, a ausência do Irão durante a cimeira de Sochi, pode representar que o Irão será um obstáculo para a implementação do acordo de Sochi. Apesar do Irão e do regime de Assad terem dito oficialmente que apoiam o acordo de Sochi, sabe-se que têm uma abordagem mais agressiva para Idlib. Para que a Rússia possa pôr em prática a sua parte do acordo, é preciso que consiga convencer as milícias xiitas apoiadas pelo Irão.

Os disparos provocatórios feitos a partir das regiões controladas pelo regime de Assad contra as zonas controladas pelos opositores em Idlib, bem como a insistência do regime em não retirar os seus reforços militares na linha de fronteira em Edlib, depois do acordo de Sochi, destacam-se como os primeiros dados que mostram que a Rússia tem dificuldades até um certo nível.

O facto dos atores na região não estarem a atuar em harmonia com a Turquia, constitui um obstáculo para a implementação do acordo de Sochi, na perspetiva da Turquia. A Frente Nacional de Libertação, apoiada pela Turquia e a maior potência militar na região de Idlib, disse num comunicado que está disposta a agir em conjunto com a Turquia para implementar o acordo de Sochi, mas deixou também claro que não confia na Rússia, no Irão e no regime de Assad.

Os grupos radicais constituem um possível obstáculo para a Turquia na implementação do acordo de Sochi. Na realidade, as organizações radicais na região de Idlib podem ser analisadas em duas categorias principais: Na primeira categoria está a Hay´at Tahrir al Sham e na segunda estão todos os outros grupos radicais.

Espera-se que a Hay´at Tahrir al Sham mantenha a sua posição na região síria de Idlib, para tentar ganhar a simpatia da população civil. Em simultâneo, este grupo tenta também adotar uma política de equilíbrio entre os seus interesses ideológicos, a oposição moderada e a Turquia. Na verdade, é de enorme importância que a Hay´at Tahrir al Sham não tenha ainda feito um comunicado para informar sobre as suas decisões, relativamente ao acordo de Sochi.

A Hay´at Tahrir al Sham pode ser convencida a abandonar a região, para que possa ser posto em prática no terreno o acordo de Sochi. No entanto, os grupos mais radicais diretamente vinculados à Al Qaeda, como o Jurrash Ad Din, mostraram-se abertamente opostos ao acordo de Sochi. Neste sentido, a Turquia poderá ser obrigada a dar os passos necessários contra este tipo de organizações radicais.

As previsões apontam para que a Turquia, que limpou uma boa parte da Síria de elementos terroristas como o DAESH e o PKK/YPG, também purgue a região de Idlib no médio a longo prazo de terroristas, no âmbito do acordo de Sochi e dos seus interesses. Na luta contra o terrorismo da Turquia, Idlib pode transformar-se num trunfo para que os civis sírios vivam em paz.

Esta foi a opinião sobre este tema de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA)



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