Turquia e China: dois estilos diferentes de diplomacia pública para a Ásia Central

Tratamos com a diplomacia pública da Turquia e China para a Ásia Central

Turquia e China: dois estilos diferentes de diplomacia pública para a Ásia Central

Análise do Dr. Cemil Doğaç İpek, acadêmico do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Atatürk

A diplomacia pública é um importante aparato da política externa na Ásia Central. No programa desta semana vamos analisar as atividades da diplomacia pública da Turquia e da China nessa área.

A China considera a Ásia como um dos campos de influência histórica. Para a China, cujas necessidades energéticas estão aumentando devido à sua economia, a Ásia Central também é importante por causa do aspecto das políticas de segurança (por ter a fronteira com a Zona Autônoma de Uygur). No âmbito da Organização Colaborativa de Xangai, parece haver uma política comum da Ásia Central entre a China e a Rússia. Mas há uma séria luta de dominação econômica entre dois países.

A política geral da Turquia para a área é apoiar os países da região que têm estabilidade política e econômica independente, colaboração entre si e seus vizinhos, integrados com a sociedade internacional e como Estados que têm o princípio de valores democráticos.

A Turquia através desta política já é o parceiro importante dos países da região. As atividades de diplomacia pública da Turquia na área se concentram na cultura, educação, mídia e todos os seus recursos.

Neste contexto, um dos principais passos foi o estabelecimento da TURKSOY, a Organização Internacional da Cultura Turca em 1993. Além da Turquia, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Turquemenistão, existem parceiros como os países observadores da República Turca do Chipre do Norte, 6 repúblicas autônomas da Federação Russa, a República Autônoma de Gagauzia da Moldávia.

A China tenta construir sua potência suave na área. Os aparatos políticos aplicados pela China para proteger seus interesses na Ásia Central são a Organização de Cooperação de Xangai, as manobras militares, as lutas antiterroristas comuns, as áreas de fronteira de livre comércio, a àrea de Livre Comércio da Ásia Central e o novo projeto da Rota da Seda.

As linhas de gasodutos construídas pelos chineses, apoiando a integração regional da Ásia Central, não estabeleceram uma ameaça direta contra a soberania dos estados aqui. O Cazaquistão e o Turcomenistão, através dos oleodutos de petróleo e gás natural da China, diminuíram sua dependência de Moscou. Em 2020, espera-se que a China seja o maior cliente de petróleo bruto e natural extraído da Ásia Central. Espera-se que o monopólio petrolífero russo estabelecido com financiamento chinês no Quirguistão rompa o monopólio russo.

O Gabinete de Informação do Conselho de Estado e o HANBAN (Conselho Internacional da Língua Chinesa) são as organizações pioneiras da China neste campo que se concentram na propaganda no âmbito da Diplomacia Pública. O HANBAN mantém suas atividades como o principal centro dos Institutos de Confúcio. Esses centros, que mantêm a atividade de ensino do chinês in situ e a apresentação da cultura chinesa, também distribuem as bolsas de estudo com foco na atração de estudantes para a China. Por meio dos programas de intercâmbio estudantil e das bolsas distribuídas, a chegada à China para a educação é assegurada por mais de 150 mil alunos, dos quais 75% são de origem asiática. Através da fundação da Foreign Affairs University, o programa de treinamento de três meses para diplomatas estrangeiros foi iniciado. Desta forma, se concentra em estabelecer uma imagem chinesa positiva aos olhos dos formuladores de políticas do futuro.

A Turquia, que dá especial importância à área, especialmente às atividades de educação, desde 1992 até hoje recebeu milhares de estudantes das repúblicas turcas. Além disso, através de estudos para expandir o idioma turco, o Instituto Yunus Emre, que é um dos aparelhos de diplomacia pública mais importantes da Turquia, mantém atividades na área por meio de seus centros em Astana e Baku. Há uma série de instituições de ensino na área que trabalham sob a coordenação do Ministério da Educação Nacional da Turquia. Além disso, a atividade em Biskek foi mantida desde 1997 pela Universidade de Manas do Quirguistão e Turquia. A Universidade Ahmed Yesevi, que é a primeira universidade estadual do mundo turco, mantém suas atividades de pesquisa e educação em seu campus no Cazaquistão.

As atividades de pressão da China contra os uigures na Zona Autônoma de Uygur são frequentemente levadas para a agenda da mídia internacional. É ainda alegado que a China, reconhecendo os privilégios das minorias quirguizes e cazaques que vivem nesta área, tem tendência para provocar discriminação étnica. Os estudantes do centro asiático que são convidados para a China através dos programas de bolsas de estudo, são principalmente estabelecidos nas universidades nessa área. Ressalta-se que a China, por meio dessas políticas que garantem a integração econômica com a Ásia Central, minimiza a identidade dos uigures, concentrando-se na preparação de uma infraestrutura para o Projeto Rota da Seda. Além disso, as difusões são feitas em idioma turco, russo e uigur, através do site oficial intitulado Tiyanshannet, que espalha a propaganda chinesa para a área e é estabelecido pelo Escritório de Propaganda Autônoma de Uygur.

A TIKA, a Agência Turca de Colaboração e Desenvolvimento, tem os projetos de agricultura, pecuária, silvicultura, turismo, saúde e educação que são mantidos no Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão. A TRT Avaz, que se concentra em ser a voz em comum do mundo turco, mantendo suas transmissões desde 21 de março de 2009, é um dos investimentos mais importantes da Turquia na área. As transmissões e publicações de rádio e internet da Presidência do Escritório de Difusões ao Exterior da TRT em diferentes dialetos turcos (em Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Uzbeque, Tatar e Uigur) também são um aparato muito importante da diplomacia pública neste espaço.

A China, que inaugura 15 centros de Confúcio no Quirguistão, 4 no Cazaquistão, 2 no Uzbequistão e 1 no Tajiquistão concentra-se em influenciar a área através de transmissões, além das línguas locais da Rádio Internacional da China.

Quando analisamos as experiências da República Popular da China e da República da Turquia, vemos que a China, através dos aparatos estatais diretos, mantém a atividade diplomática pública na Ásia Central. A Turquia, por sua vez, tenta estabelecer um modelo original, baseando-se em sua própria tradição turca.

Esta foi a análise do Dr. Cemil Doğaç İpek, acadêmico do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Atatürk



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