Para onde vai os EUA?

Nos últimos tempos estamos focados na crise entre a Turquia e os EUA, provocada pelo pastor americano Andrew Brunson.

Para onde vai os EUA?

Perspectiva Global 34

Professor Dr. Kudret BÜLBÜL *

Nos últimos tempos, estamos focados na crise entre a Turquia e os EUA, provocada pelo pastor americano Andrew Brunson, que está em prisão domiciliar por ajudar o terrorismo. Existe uma tendência comum em avaliar esta crise através das relações turco-estadunidenses. Os debates são feitos através dessa perspectiva.

Sem dúvida, existem justificativas para avaliar a crise através das relações turco-americanas. Embora os EUA relatem a crise com a qual a Turquia compra mísseis antiaéreos russos S-400, tem sido a voz da consciência global contra a decisão dos EUA de proclamar Jerusalém como a capital israelense e, além disso, apesar de que relaciona a crise finalmente, com o ocorrido do Pastor Andrew Brunson, o assunto não é considerado assim por parte da Turquia. A questão do aspecto da Turquia é a seguinte: os esforços dos EUA para formar um estado terrorista através do PKK / YPG, reconhecido pela Turquia como um grupo terrorista; o FETÖ, responsável pelo 15 de julho, considerado como 11 de setembro, na Turquia, vive em uma luxuosa mansão nos EUA; nada foi feito ao líder do FETÖ apesar do fato de que a Turquia entregou todos os arquivos sobre ele. Este exemplo pode ser dado para entender melhor como a atitude dos EUA na opinião pública turca é percebida: como a acomodação de Osama Bin Laden em um país será percebida na sociedade americana e o esforço desse país para formar uma zona terrorista na fronteira dos EUA com o México através do grupo terrorista Al-Qaeda, como a posição dos EUA vai responder com a mesma reação na opinião pública turca. A avaliação da crise pelo aspecto das relações turco-estadunidenses, apesar das razões compreensíveis, será uma avaliação incompleta. Já os EUA não vivem crises apenas com a Turquia. Os Estados Unidos estão passando por crises mais sérias também com a China, a Rússia, a União Europeia e especialmente com a Alemanha. Além disso, há também crises com o México e o Canadá, cujo exemplo raramente foi encontrado na história dos EUA. Não mencionarei as crises crônicas com a Coreia do Norte e o Irã.

Portanto, não é correto avaliar a crise entre a Turquia e os EUA apenas por causa do aspecto das relações entre os dois países. Não parece correto avaliar essas crises apenas através do governo Trump. Sem dúvida, existem algumas dimensões derivadas do governo Trump. No entanto, deve-se analisar com mais profundidade as razões para as crises que o governo dos EUA está vivenciando com o mundo inteiro. Podem alinhar-se como seguintes as principais razões.

Uma das razões mais importantes da a crise que vive os EUA em todo o mundo, talvez pode ser a crise que se cria, é que este país não retira vantagens suficientes da globalização e muito atrás os EUA e que ficam atrás os EUA e as suas empresas na concorrência global. Os países que alcançam a melhor colocação na competição global são os países como China, Índia, Brasil e Turquia, não são os EUA e a União Europeia. Nesse processo, a economia estadunidense vem sofrendo crises às vezes, enquanto esses países aumentaram sua renda nacional algumas vezes mais. Neste momento, argumenta-se que a hegemonia dos EUA está prestes a terminar. Mas sobretudo é muito óbvio que os EUA não conseguem superar a concorrência global e a economia de mercado livre, e também a principal razão para a atitude dos EUA é o problema mencionado acima, alguns nossos líderes inteligentes devem romper os moldes na globalização. Mais uma vez, o conformismo dos inteligentes sobre o fato de que os processos de globalização contribuíram mais para os países desenvolvidos, enriqueceram mais os ricos e empobreceram os pobres, deve ser considerado mais uma vez.

O governo Trump é direcionado às políticas antes da globalização e, ao contrário da economia de livre mercado, porque seu país não pode tirar proveito da globalização. O aumento das tarifas, as aduanas emergentes e o retorno do capital e as empresas que fogem ao exterior são as ramificações dessas políticas. Essas políticas restringem o comércio global e são tratadas à medida que afetarão outros países junto com os EUA. O último consumidor registrará o maior dano, já que aumentarão os preços dos produtos com alfândega e impostos crescentes.

Pode-se dizer que a segunda razão, como mencionamos na semana passada, é o efeito emergente a cada dia mais dos grupos, comunidades e seitas religiosas do governo dos EUA. Como o que aconteceu na decisão de Jerusalém e do pastor Brunson, não há uma racionalidade de poder explicar de outra forma algumas decisões irracionais do governo dos EUA. Lembramos novamente que o vice-presidente Mike Pence e o ex-presidente George W. Bush são ultraevangelistas.

Como outra razão, podemos dizer a crise da administração que os EUA sofrem. Em muitas questões, o Pentágono, a Casa Branca e o Departamento de Estado podem considerar e agir de maneira diferente. As reações e expectativas de diferentes coalizões na sociedade americana podem forçar a Casa Branca a superar o governo dos EUA. Afirma-se que uma das razões importantes para a atitude do governo Trump é o processo de derrubar Trump no contexto dessas coalizões.

O que é necessário fazer se a crise entre os EUA e a Turquia estiver além das relações entre os dois países?

Sem dúvida, a questão tem dimensões que interessam à Turquia, aos EUA e a outros países e que interessam a toda a humanidade.

Levando em conta as políticas aplicadas pelos EUA, o retorno às economias fechadas aumentará as barreiras alfandegárias e reduzirá a economia de livre mercado. Essa recessão econômica afetará todos os países e indivíduos. Essas políticas, desenvolvidas pelos EUA especialmente contra a ascensão da China, podem ser parcialmente compreendidas. No entanto, a Organização Mundial do Comércio, o Banco Mundial e organizações internacionais similares e aqueles que defendem o livre comércio devem adotar uma atitude comum contra essas políticas, que prejudicará a todos. O fato de os EUA não jogarem de acordo com suas regras é uma ameaça para todos os países.

É muito óbvio que o mundo e os países arrastem as tendências ultraideológicas como o nazismo e o fascismo na Segunda Guerra Mundial e as tendências ultra-religiosas explodiram hoje no Oriente Médio. O fato de que o governo dos EUA é fortemente afetado por tendências ultrareligiosas, como o evangelismo, também considerado como o cristianismo sionista, não será para o bem da humanidade. Os partidos americanos libertários, pluralistas e liberais estão provavelmente cientes do perigo. As lutas desses partidos contra a racionalidade, liberdade e pluralismo são muito importantes para a humanidade.

Os países podem entrar em crises sociais, econômicas, políticas e culturais de tempos em tempos. Nessas cidades, precisam de líderes visionários que superem esse tipo de crise. O governo Trump não dá esperança quanto a isso. O mais triste é que o governo Trump não está sozinho no mundo. Muitos países europeus são geridos por líderes sem visão que não dão esperança para o futuro.

Que não percamos a esperança, mas infelizmente o mundo e a política global não prometem dias brilhantes.

Análise do Prof. Dr. Kudret BÜLBÜL, reitor da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yıldırım Beyazıt em Ancara



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