As relações diplomáticas entre a Turquia e a China estão em alta

A colaboração entre os dois países clarificou-se a partir da década de 1 980, quando ambos os países se começaram a abrir ao mundo e a crescer nos aspetos económico e político. A análise do Dr. Cemil Dogaç IpekÇ

As relações diplomáticas entre a Turquia e a China estão em alta

Nos últimos dias, celebrou-se o 47º aniversário das relações diplomáticas entre a República da Turquia e a República Popular da China. Já a seguir, apresentamos a análise sobre este tema do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ancara.

As relações diplomáticas entre a Turquia e a China foram estabelecidas em 1 971. A colaboração entre os dois países clarificou-se a partir da década de 1 980, quando ambos os países se começaram a abrir ao mundo e a crescer nos aspetos económico e político.

Em 2 010, foi assinado um tratado de cooperação estratégica entre a Turquia e a China. Este elevar das relações ao nível de “Cooperação Estratégica” em 2 010, fez com que desde então tenham ocorrido várias visitas mútuas ao mais alto nível. Mas podemos dizer que as relações continuam ao nível do planeamento estratégico. O aumento das relações económicas entre a Turquia e a China, tem uma influência positiva na economia da Turquia. Mas todos os anos aumenta o défice comercial da Turquia com a China. Em 2 016, a Turquia importou 25,4 mil milhões de dólares em produtos chineses, mas exportou apenas 2,4 mil milhões de dólares para a China. Esta situação não é sustentável.

Para o fortalecimento e sustentabilidade das relações económicas entre a Turquia e a China, é preciso que aumentem os investimentos diretos chineses na Turquia. Neste sentido, foram realizados em 2 017 contactos oficiais entre o presidente Erdogan e a sua delegação de empresas turcas, em que foram assinados acordos com empresas chinesas para o desenvolvimento conjunto de tecnologia.

Nos últimos anos, registou-se um intenso tráfego diplomático entre os dois países. Os representantes do estado da Turquia e da China visitam-se frequentemente uns aos outros. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em maio de 2 017 participou na cimeira “Uma geração, um caminho”. E o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Çavusoglu, visitou a China em 2 017 antes de participar na Reunião da Cimeira da ASEAN.

Novamente, e nos últimos dias, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan participou na 10ª edição da Cimeira dos BRICS, um grupo composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Erdogan marcou presença nesta cimeira na qualidade de convidado especial, pelo facto da Turquia ocupar atualmente a presidência rotativa da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI). Durante a sua passagem pela África do Sul, para participar nesta cimeira, Erdogan teve um encontro a sós com o presidente chinês Xi Jinping.

Atualmente, a Turquia quer ter mais opções em termos da sua política externa. E nesta questão, o lider turco considera muito importante desenvolver as relações com a China. E por seu turno, o governo chinês olha para a Turquia como um país que ocupa uma posição chave no projeto “Uma geração, um caminho”, e como sendo um centro de força no Médio Oriente. Ambos os países têm como objetivo reanimar a Antiga Rota da Seda, e a Turquia está no caminho entre a China e os mercados da Europa.

A transformação da Turquia num nó global das cadeias de fornecimento de produtos, ligando a China à Europa, é uma situação que traz muitos benefícios à Turquia.

A China é o maior parceiro estratégico da Turquia em todo o mundo, logo a seguir à Alemanha. E é para a Turquia o país mais importante no Extremo Oriente. Em 2 016, a China foi o 19º país para o qual a Turquia mais exportou, e foi a principal origem das importações turcas. Naturalmente, será preciso haver mais equilíbrio nas exportações e importações dos dois países. No futuro próximo, a melhoria desta situação poderá levar as relações ainda mais à frente.

Não seria surpreendente, se nos próximos tempos a China levasse a cabo uma política externa mais exigente e com mais confiança em si própria. Isto porque no discurso que fez a 18 de outubro de 2 017, Xi Jinping falou várias vezes sobre a identidade e sobre a “a grande força da China”. Além disso, sublinhou que ficaram para trás os dias em que a China era desprezada e que chegou o tempo da China ressurgir enquanto uma força global, com a sua própria civilização.

A China prepara-se para “dar um grande salto em frente”, com as decisões tomadas no 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCdC). No novo período, poderemos ver uma China em que sobe o nível de bem estar, em que o país se abre ao mundo, e em que a China compete com os países fortes e ricos - deixando mesmo alguns para trás - e assumindo um papel cada vez mais importante ao nível regional e global.

Quanto à Turquia, vive atualmente alguns problemas com os seus aliados ocidentais, nomeadamente os Estados Unidos e a União Europeia, e desenvolve as suas relações com o membros da Organização de Cooperação de Xangai. Neste sentido, a política seguida pela China de aumento da sua importância ao nível político e económico, poderá fazer crescer o número de projetos em parceria turco-chinesa.

Enquanto vive alguns problemas nas suas relações com alguns aliados ocidentais, a Turquia olha com interesse para o fortalecimento das suas relações políticas e militares com outros países. As tentativas da Turquia para fortalecer as relações com a China, têm como objetivo estar em sintonia com o mundo bipolar que está a surgir. E desta forma, a Turquia reflete o seu desejo de aumentar as suas alternativas na política global.

Outra questão crítica entre a China e a Turquia, são os turcos Uigur que vivem na China. A China, enquanto grande estado que é, e à luz do desenvolvimento das relações bilaterais com a Turquia, tem que diminuir a pressão sobre os turcos Uigur. Caso a China reduza esta pressão, as relações bilaterais poderão avançar mais rapidamente e os turcos Uigur poderão desempenhar um papel chave nas relações entre os dois países.

Esta foi a opinião sobre este assunto do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ancara



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