A América Latina e o dia 15 de Julho

É necessário ler a tentativa fracassada de golpe de 15 de Julho em dois aspectos no contexto Latino-americano.

A América Latina e o dia 15 de Julho

América Latina - Análise da Agenda - Capítulo 29

É necessário ler a tentativa fracassada de golpe de 15 de Julho em dois aspectos no contexto Latino-americano.

O primeiro consiste em como os muçulmanos latino-americanos o encaram, e a segunda é em relação à política dos países latino-americanos. Antes, muitas pessoas escreveram e compartilharam as suas observações sobre como a tentativa de golpe de 15 de Julho foi percebida em muitos países muçulmanos. Entretanto, o dia 15 de Julho marca uma séria virada em termos de muçulmanos que vivem em regiões geográficas distantes, especialmente na América Latina. Os muçulmanos que viviam no continente antes de 15 de Julho adoravam Erdogan, enquanto alimentavam conversas contrárias ao que ele fazia, e ao mesmo tempo tinham um certo nível de relacionamento com as ramificaçoes da estrutura FETO. Quanto mais essa relação completava o estilo FETO, eleitoral, pragmatista e o mais importante, uma relação estabelecida pelos muçulmanos com uma perspectiva de benefício utilitário, a maioria dos muçulmanos, em particular devido à aliança na Turquia dava apoio ao FETO.

Análise do Doutor Associado Mehmet Ozkan, membro do corpo acadêmico da Academia de Polícia da Turquia

Em termos de muçulmanos latino-americanos, datas como as de 7, 17 e 25 de fevereiro permanecem como datas sem muito sentido.

Este é um dos principais motivos que não pôde se compreender a razão para a luta em curso violenta na Turquia, seus detalhes e seu contexto. E a atitude do denso lobby, propaganda e questões dos membros do FETO parecia ser irrelevante para eles, criando um conforto entre muitos muçulmanos e não criando uma suspeita para os integrantes da Organização FETO. Certamente, algumas das pessoas que trabalharam muito de perto perceberam que tinham uma agenda diferente, mas nunca falaram isso a ninguém ou acharam que seria apenas um sentimento.

O dia 15 de Julho, era exatamente o período em que havia uma confusão mental. Foi um dia muito longo para os muçulmanos na América Latina, assim como para os muçulmanos em muitas partes do mundo naquele dia. Para se atualizar com todas as notícias da Turquia, todos os conhecidos foram contactados, seguiram-se fontes de notícias confiáveis de perto em árabe, e o mais importante, a maioria orou. Embora não tenha sido imediatamente entendido a princípio que era o FETO por trás do acontecido, foi seriamente comprovado que estavam por trás dos eventos. Certamente, havia algumas anomalias interessantes que existiam naquela noite histórica. Por exemplo, a única conexão de muitos muçulmanos é que eles são membros dessa família muito conhecida querendo ou não querendo ver essa realidade. A maioria dos líderes religiosos afirmaram naquele dia que viram uma única resposta como se tivessem vindo de uma mesma mente: isto é um teatro e um golpe militar do próprio Presidente Erdogan.

Nos dias que se seguiram, a mídia parecia ter mantido essa propaganda do FETO no começo, dando as mesmas declarações no ocidente, mas com o tempo todo mundo entendeu que eles eram os agentes reais desse golpe.

No continente, os membros da estrutura conhecida estão agora parcialmente desconectados dos muçulmanos. Na verdade, a maioria deles nem sequer vem às mesquitas. Embora já estivesse 'usando' anteriormente dos laços na mesquita, pelo menos havia um relacionamento. Pode-se resumir que a principal abordagem desse grupo conhecido no continente é ficar longe dos muçulmanos e não ficar perto do poder do Estado.

O melhor compartilhamento de informações da Turquia no continente tem sido feito pelos muçulmanos. As minhas observações no continente são de que os líderes religiosos já fizeram uma escolha clara pelo FETO. O amor por Erdogan e pela Turquia são para além de nossas previsões. Embora esse amor seja legitimado pelo fato de não haver um líder no mundo árabe, todos os muçulmanos do mundo que são oprimidos são honrados pelo trabalho do nosso presidente que desenhou uma imagem diferente da Turquia. Sempre que vão para Istambul se sentem em suas próprias casas, todos os passos dados pela Turquia são seguidos de perto pelas pessoas que na verdade prestam serviço voluntário para a Turquia.

A América Latina agora pode ser melhor explicada pelos acontecimentos de 15 de Julho na Turquia, na verdade pelos atos da esquerda. Como o 15 de Julho,  aconteceu com Hugo Chávez em 2002 e com Rafael Correa no Equador em 2010. Em ambos o golpe conseguiu ser desmantelado depois que as pessoas saíram às ruas. Através da artéria esquerda desses dois golpes, essas experiências desses países no continente servem para contar a história de 15 de Julho na Turquia de forma mais significativa para a maioria.

Em particular, os artigos sobre o continente, possuem muito pouca informação associada com a Turquia, textos e palestras públicas serão significativos nesse contexto. Seguramente que não apenas com eventos da esquerda. Nas relações estabelecidas com outros partidos políticos, a dimensão humana da tentativa de golpe, o resultado político e a realidade do "golpe" terão uma estrutura significativa em conexão com a forte história do golpe. Completando o segundo ano do golpe de 15 de Julho, ainda há uma necessidade de trabalho e comprometimento extensivos na América Latina. Não obstante, em vez de estabelecer o que nos vem primeiro em mente, a criação de instituições tradicionais, seria mais eficiente fazer planejamentos de uma maneira mais criativa e significativa.

Esta foi a análise do Doutor Associado Mehmet Ozkan, membro do corpo acadêmico da Academia de Polícia da Turquia



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