A natureza alterada da guerra

O rápido desenvolvimento das tecnologias de comunicação, os desenvolvimentos geopolíticos e o ganho da importância dos atores de fora dos estados, para além dos próprios estados, garantem que as guerras continuam com novos métodos, táticas e sistemas.

A natureza alterada da guerra

Os rápidos desenvolvimentos nos sistemas informáticos e a rápida integração destes desenvolvimentos nas tecnologias de defesa, fizeram mudar a natureza da guerra. No nosso programa desta semana, vamos analisar estes desenvolvimentos, a natureza alterada da guerra e o seu impacto sobre o Médio Oriente. Já a seguir, apresentamos a avaliação sobre este assunto do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ataturk.

As tecnologias de defesa e as ações orientadas para a guerra ao longo da história, estiveram sempre a par dos novos desenvolvimentos tecnológicos. A implementação de novas técnicas, meios e métodos, para além das tentativas de conseguir alcançar superioridade sobre os inimigos, sempre foram um objetivo de todos os estados, mais que não fosse para garantir capacidade de dissuasão. Mas por outro lado, todas as novidades acabam por amadurecer, depois de se tirarem lições sobre o seu uso em guerra ou combates anteriores.

O muito rápido desenvolvimento das tecnologias de comunicação, os desenvolvimentos geopolíticos e o ganho da importância dos atores de fora dos estados, para além dos próprios estados, garantem que as guerras continuam com novos métodos, táticas e sistemas. Nesta nova abordagem, poderemos falar de Guerra de Nova Geração, com base numa estrutura mais pequena mas com grande facilidade de movimentos e centrada numa rede, em que as tropas vinculadas às partes em conflito são usadas como peças de manobras políticas, económicas e sociais.

Os primeiros exemplos da Guerra de Nova Geração puderam ser vistos na operação da Líbia, na guerra civil da Síria e no Afeganistão. Nestes exemplos, vimos como os estados usaram atores de fora dos estados para atingir os seus objetivos políticos e militares, fazendo guerras através de representantes (elementos “proxy”), tanto através de guerras abertas, como através de guerras não declaradas.

A guerra de guerrilha assenta em estratégias especiais de guerra fora do convencional. E dentro destas estratégias inclui-se a guerra psicológica, eletrónica e a ciber guerra, tanto ao nível tático como ao nível estratégico.

A implementação das tecnologias de defesa e de estratégias de guerra, o ambiente de ameaça e as possíveis condições de manobra, são os elementos mais importantes na condução de uma guerra. A análise das zonas mais prováveis para a ocorrência de combates e das suas condições ambientais, é uma condição necessária para que as forças armadas se possam preparar para as manobras nestas regiões, fazendo face às condições ambientais e às capacidades dos prováveis inimigos.

Atualmente, há no mundo vários focos de tensão, de combate e de crise, cuja motivação tem origem em questões políticas, históricas e económicas. Uma parte importante destes focos de tensão estão no Médio Oriente e na região à sua volta.

As revoltas populares às quais se deu o nome de “Primavera Árabe”, começaram na Tunísia em 2 011 e rapidamente se espalharam pelo norte de África e pelo Médio Oriente. Esta situação deu origem a grandes mudanças nos equilíbrios geopolíticos. A Primavera Árabe fez com que tivessem mudado os regimes na Tunísia, Líbia e Egito, e está na base da guerra civil da Síria. Este movimento revolucionário, fez também com que vários grupos armados radicais ganhassem importância.

A guerra civil da Síria, que começou em 2 011, transformou-se numa situação que ameaça diretamente a segurança nacional dos países à sua volta. E há o risco de que esta crise se transforme numa guerra que envolva também os países da região, o que tornaria a crise ainda mais profunda.

A política de guerra através de proxys seguida pelo Irão – um dos mais importantes produtores mundiais de energia – é entendida pelos países da região e também de todo o mundo, como sendo uma séria ameaça. Os investimentos feitos pelo Irão, sobretudo nos sistemas cujas características possam ter impactos na sua tecnologia de mísseis de longo alcance e no tráfego no Golfo de Bassorá, só reforçam esta perceção de ameaça. É também possível que a tensão entre o Irão e Israel passe das palavras a um conflito real.

A tecnologia sempre desempenhou e continuará a desempenhar um importante papel na transformação e no desenvolvimento da guerra. Neste contexto, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia neste processo, que registou fortes avanços desde o início deste século, está por detrás das tecnologias, sistemas e soluções militares que serão usadas até meados do nosso século. Entre estas tecnologias, contam-se as tecnologias de comunicação, a ciber guerra, a biotecnologia, a energia operável, os sistemas de drones, os materiais super avançados, as tecnologias de produção e de simulação, os sistemas de força alternativa e as tecnologias de combustíveis.

O estratega mundialmente conhecido Carl von Clausewitz, define a guerra como sendo a continuação da política por outros meios. Partindo desta definição, é preciso avaliar a guerra como parte de uma expressão mais ampla, e temos que olhar para as capacidades de defesa como um elemento da estratégia de segurança nacional. No mundo atual, em que ficaram para trás os impérios, os estados usam a guerra como uma peça das suas políticas governamentais, económicas e militares.

Atualmente, o desenvolvimento das capacidades militares, das tecnologias de defesa e das estratégias de guerra, está diretamente ligado à tecnologia. As formas de concretização da guerra, tanto no futuro próximo como longínquo, os potenciais ambientes de combate e condições, bem como a previsão das capacidades que os inimigos possam vir a obter, são questões essenciais para que se possa ter uma força de combate eficaz. Se for possível usar conjuntamente capacidades de previsão estratégica, económica, política e económica, será então possível criar uma capacidade de defesa que possa dar resposta às necessidades modernas.

Esta foi a opinião sobre este assunto doDr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ataturk



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