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A Islamofobia e a política externa da Turquia

Islamofobia é o nome geral dado aos comportamentos discriminatórios com que se deparam as pessoas que pertencem ao mundo do islão. A análise do Dr Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ataturk.

A Islamofobia e a política externa da Turquia

Hoje em dia, o islão faz infelizmente parte da agenda do Ocidente com um sentimento de medo. Os acontecimentos despoletados com os atentados do 11 de setembro e posteriores ataques terroristas, fizeram com que as sociedades ocidentais se sentissem sob ameaça, e olhassem para esta ameaça de forma incerta e interminável. No  programa desta semana, vamos analisar o medo por detrás da islamofobia e a atitude da Turquia acerca desta situação.

A palavra “fobia” deriva da palavra grega “phobos”. Phobos, na mitologia grega, era conhecido como o deus do medo. Atualmente, esta palavra está associada à influência negativa do medo na nossa vida quotidiana, sendo que existem diversas fobias específicas em relação a alguma coisa.

A islamofobia, na sua definição mais simples, pode ser explicada como o medo do islão. A islamofobia é caracterizada pelo instinto de se afastar ou ter medo do islão e dos muçulmanos. Apesar desta expressão ser usada com frequência, sabemos que não é uma definição estudada. A Agência da União Europeia para os Direitos Humanos, define a islamofobia desta forma:

“Depois dos acontecimentos ocorridos no dia 11 de setembro de 2 001, e no âmbito da luta contra o terrorismo, as pessoas associadas a grupos nos quais se incluem árabes, judeus, muçulmanos, alguns grupos de imigrantes, migrantes e refugiados, e ainda algumas minorias, são confrontados com discriminação em algumas áreas como a educação, o emprego, o asilo, serviços, acesso a cargos públicos, dificuldades de integração social e falta de liberdade de movimentos”.

Islamofobia é o nome geral dado aos comportamentos discriminatórios com que se deparam as pessoas que pertencem ao mundo do islão.

Nos últimos anos, o islão passou a fazer parte da agenda do ocidente, devido ao sentimento de medo nas sociedades ocidentais. Houve uma sequência de acontecimentos que começaram com o 11 de setembro, e que continuaram depois com atos individuais de terrorismo. Esta situação fez com que as sociedades ocidentais se sentissem sob ameaça. Depois dos acontecimentos negativos ocorridos, a imagem apresentada pela imprensa internacional mostra o islão como sendo a fonte do terrorismo, e dessa forma amplia o medo em relação ao islão.

A imprensa não é a única culpada na mobilização de algumas partes da sociedade ocidental contra o islão. Desde os anos 2 000, que estão a crescer as posições de extrema direita na Europa. Estas posições começaram depois a dar origem a partidos políticos, que passaram a ter assento parlamentar em vários países. A Frente Nacional em França, a Aurora Dourada na Grécia, o Partido da Liberdade na Holanda e o Partido da Liberdade da Áustria. Todos defendem a adoção de atitudes negativas em relação aos estrangeiros e imigrantes nos seus países. E com estas posições, aumentaram as suas votações.

Quando se fala da atitude negativa contra a sociedade muçulmana na Europa, o primeiro exemplo que nos vem à cabeça são os acontecimentos tristes, vividos pelos turcos na Alemanha. Neste contexto, lembramo-nos de imediato dos incidentes de fogo posto nas casas e negócios de turcos, que têm aumentado nos últimos anos e resultaram em mortes. Sabemos também que estes acontecimentos não se limitam à Alemanha. Este tipo de acontecimentos, tornaram-se num “crime normal” que atinge também as mesquitas, centros culturais e empresas. A tremenda dimensão destes ataques e este movimento de ódio organizado, acabou por ser aceite de forma organizada por uma parte da população, da imprensa e dos políticos.

O silêncio dos governos da Europa perante as atividades contra as cores do islão na sociedade, está relacionado com preocupações internas e externas. Existe uma situação de histeria, que ganhou força em 2 001 e subiu ao seu ponto máximo depois do ataque contra a revista Charlie Hebdo. Esta situação influencia a opinião pública, em relação às políticas para o Médio Oriente que foram seguidas pelos países europeus desde a Primavera Árabe.

Quando começaram os movimentos populares na Tunísia em 2 011, a Europa e os Estados Unidos adotaram uma atitude libertária, pelo menos ao nível retórico. Mas para o Ocidente, era importante saber se os novos regimes surgidos neste período seriam ou não islamitas. O exemplo disto mesmo, foi a inclinação para associar ao terrorismo os partidos Nahda, a Irmandade Muçulmana e os grupos moderados da oposição síria.

Relativamente a esta situação, temos que sublinhar o papel de alta visibilidade e unificador que a Turquia começou a desempenhar no Médio Oriente. A política de concordância da Turquia em relação ao Médio Oriente, assente numa base de direitos humanos, mostra o quão diferentes são as abordagens do Ocidente e da Turquia, em relação a esta região. Em simultâneo, a Turquia dá apoio à integração das sociedades muçulmanas que vivem nos países ocidentais, e ao alargamento da democracia nos países islâmicos. Mas esta atitude positiva, infelizmente não recebe uma resposta positiva por parte da maioria da imprensa ocidental.

Devido à grave atmosfera psicológica na região, a Turquia está no terreno a resolver muitas equações e faz a sua diplomacia sozinha, apesar de todos os custos. A Turquia traz também soluções importantes para os problemas humanitários na região. Por outro lado, Ancara considera que a luta pela democratização no Médio Oriente está no caminho correto. Mas a Turquia não recebe apoio suficiente nesta luta, tanto por parte do mundo ocidental como por parte do mundo islâmico.

Ignorar a crise de civilizações à escala global devido às preocupações políticas diárias, impede que se ouça a voz da diplomacia humanitária e moderada, levada a cabo pelo Turquia e que é hoje em dia é uma coisa rara.

Esta foi a opinião sobre este assunto do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ataturk



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