O Futuro da Energia no Mediterrâneo Oriental e a Turquia

Como os países do Mediterrâneo Oriental avaliarão as reservas, como chegará o gás natural ao mercado e qual será o papel da região no comércio de energia?

O Futuro da Energia no Mediterrâneo Oriental e a Turquia

Apresentamos a análise do Prof. Dr. Erdal Tanas KARAGÖL, do Departamento de Econômia da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yıldırım Beyazıt.

Como um centro de comércio de energia que caminha em direção ao progresso, a Turquia com a sua localização geográfica, desempenha um papel de destaque na questão da segurança do fornecimento de energia na região, com um potencial de energia disponível e com rotas de transferência dessa energia. Este cenário faz com que a Turquia desempenhe cada vez mais o seu papel ativo na definição da política energética na região. Neste contexto, nos últimos anos foram descobertas reservas de gás natural na bacia do Mediterrâneo Oriental, é importante destacar que a Turquia e os países do Mediterrâneo Oriental, desempenham um importante papel nas questões ligadas à energia e segurança enérgetica na região.

Nos últimos anos, estudos de pesquisa conduzidos por empresas internacionais de energia pela Administração do Chipre do Sul (GKRY, por suas siglas em turco) nas águas do Egito, Palestina, Israel e Líbano, desempenharam um papel importante na promoção do potencial energético da região. A descoberta das primeiras grandes reservas de gás natural nesta bacia foram realizadas em 2009 no Campo de Tamar na Zona Econômica Exclusiva de Israel e em 2010 foi construído o Campo de Leviatã.

Os estudos de pesquisa energética no Mediterrâneo Oriental continuaram em 2011, pelo ministério da Educação da Administração do Chipre do Sul e foram descobertos uma reserva de gás natural de 198 bilhões de metros cúbicos no campo de Afrodite.

Logo em seguida, em 2015, nas águas egípcias da bacia de Zohr, foi descoberto o mais amplo campo de gás natural com 850 bilhões de metros cúbicos.

Como resultado de todos esses desenvolvimentos, o Mediterrâneo Oriental tornou-se parte da equação de energia na região com as reservas de gás natural que possui.

É claro que, com a descoberta dessas reservas, os países comprovaram a existência de depósitos de gás natural em seu próprio território. Devido ao fato de que não foram dados passos concretos pelos países da região sobre como usar essas reservas o processo está em andamento. Como os países do Mediterrâneo Oriental avaliarão as reservas, como chegará o gás natural ao mercado e qual será o papel da região no comércio de energia? Estas questões estão entre os assuntos que os países do Mediterrâneo Oriental não conseguem responder com clareza.

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, o consumo global de gás natural irá atingir 4 trilhões de metros cúbicos até 2022, aumentando a cada dia a importância dos recursos de gás natural no mundo.

No entanto, ter reservas de gás natural no mundo hoje nem sempre eleva os países a patamares superiores. Além de ser um detentor dos recursos, também é importante saber como negociar esses recursos e como transferi-los para o mercado.

Ao transferir esses recursos das regiões para os centros, abrem-se rotas bem precisas de transferência de energia. A Turquia está localizada nestas rotas, possuindo uma segurança no aprovisionamento energético na região e sendo o país com o custo mais razoável.

No entanto, os países do Mediterrâneo Oriental não devem entrar nessa questão sem ações concretas, a Turquia está tentando alcançar os mercados apontando caminhos alternativos.

Naturalmente, a questão de quão razoáveis são essas questões é bastante clara. Atualmente, a Turquia já possui um papel que é vantajoso no comércio de energia, também o gasoduto que estará em operação no próximo mês irá reforçar através das tubulações da Companhia de Transmissão de Gás Natural TANAP a transferência de gás natural na direção leste e oeste.

Por outro lado, a Turquia deverá estar com as atividades em operação em 2019, com a passagem de trasferência de gás através de um gasoduto que irá estender às atividades do norte para o oeste e se tornará um ponto de intersecção transferência de energia. Portanto, neste caso a Turquia se consolidará como um dos atores-chave em termos de energia regional.

Não obstante, os países do Mediterrâneo Oriental ainda estão buscando uma solução estratégica avaliando a posse de recursos naturais e evidentemente não conseguem enxergar o papel de destaque da Turquia na região. Obviamente, as políticas energéticas que serão desenvolvidas no Mediterrâneo Oriental neste curto período não parecem ter idéias concretas.

Esta foi a análise do Prof. Dr. Erdal Tanas KARAGÖL, do Departamento de Econômia da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yıldırım Beyazıt.



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