A operação Ramo de Oliveira e os Sistemas de Defesa Nacional

A variedade de ameaças que o país enfrenta, alimenta o número e as características dos projetos em curso. A análise do Dr. Cemil Dogaç Ipek.

A operação Ramo de Oliveira e os Sistemas de Defesa Nacional

A República da Turquia continua a sua luta contra o terrorismo através da operação Ramo de Oliveira. Uma grande parte desta luta da Turquia é feita com sistemas de defesa nacionais. No programa desta semana, vamos olhar para os sistemas de defesa nacional da Turquia, no âmbito da operação Ramo de Oliveira. Já seguir, apresentamos a opinião sobre este assunto do catedrático Dr. Cemil Dogaç Ipek, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.

A indústria de defesa turca passou no exame com distinção, durante a operação transfronteiriça em Afrin. Nos últimos anos, a instabilidade nos países vizinhos e a intervenção ativa do exército turco, deixaram patente a necessidade de novidades no campo da defesa. A variedade de ameaças que o país enfrenta, alimenta o número e as características dos projetos em curso. A dimensão das decisões tomadas, implicou o aumento da força dissuasora do exército turco.  

Nos últimos 15 anos, registou-se um aumento de 15 vezes no valor das exportações turcas de munições e material militar. As Forças Armadas da Turquia também passaram a optar pela produção nacional na sua escolha de equipamentos, e este foi o fator decisivo para o fortalecimento do setor. Desde 2 013 que existem 450 empresas turcas a fazer exportações na área da indústria de defesa, para um total de 177 países. A partir do ano passado, as exportações do setor turco da defesa chegaram aos 2 mil milhões de dólares, e as vendas totais somadas com o setor da aviação chegaram aos 6 mil milhões de dólares. Em 2 002, a percentagem de dependência face ao exterior nos equipamentos militares era de mais de 80%, mas atualmente baixou para 35%.

Os veículos blindados, os sistemas de mísseis de curto e longo alcance, os aviões não-tripulados armados, os navios de guerra e a produção contínua de munições, para além da diminuição da dependência face ao exterior, são todos importantes na questão de responder internamente às necessidades no âmbito do conceito de defesa nacional.

Outro fator com influência sobre estes desenvolvimentos positivos, foi o incumprimento de alguns países dos compromissos de transferência de armas e tecnologia para a Turquia, ou a existência de atitudes renitentes nesta questão.

A Turquia passou a fazer parte do grupo de países que produz tecnologias de armamento e de defesa inovadoras, como parte de um processo que o presidente Recep Tayyip Erdogan classificou de “o mal dos vizinhos fez-nos ganhar em casa”. Em particular, a falta de cumprimento por parte da NATO e da ONU dos compromissos de segurança e de defesa das fronteiras da Turquia, que essas próprias organizações estão obrigadas a cumprir, bem como as ameaças de segurança oriundas do Iraque e da Síria, constituíram impedimentos de uso a favor da Turquia. Para fazer face a estas necessidades, a Turquia desenvolveu sistemas de defesa aérea, e para não se atrasar nos seus projetos de modernização de veículos terrestres e aéreos – dos quais precisava urgentemente – o país teve que iniciar a produção própria para fazer face a um problema profundo de confiança.

No momento atual, nos “Primeiros 100 das Notícias de Defesa” – considerada a lista da indústria de defesa mais prestigiada do mundo – constam 3 empresas turcas. À medida que aumenta a visibilidade global de vários projetos, aumentou também o número de encomendas junto destas empresas. Por último, chegou-se também a acordo com o Paquistão para a venda do helicóptero de ataque nacional. O reconhecimento dos produtos de origem nacional, permitiu também chegar a acordo com a Malásia para a venda de veículos aéreos não tripulados.

Começou também a produção em série dos tanques Altay, que demonstraram uma séria capacidade durante a operação Escudo do Eufrates no ano passado. Continuam também de forma intensa os trabalhos para desenvolver a tecnologia do motor nacional. Os sistemas de defesa aérea de curto alcance Atilgan e Zipkin podem ser usados a baixa altitude, e espera-se que o projeto Hisar-A de média altitude passe a ser produzido em série em 2 020.

Os mísseis Cirit, que podem ser montados em helicópteros e em veículos aéreos não tripulados, já permitiram às Forças Armadas da Turquia ganhar vantagem na operação Ramo de Oliveira, em Afrin. Mas os sistemas domésticos e nacionais de defesa, tal como antes indicado, são compostos por tecnologia 100% nacional, e mais do um plano de curto prazo, fazem parte de um plano de longo prazo. Isto porque a Turquia tem algumas limitações de caráter financeiro e tecnológico, e tem ainda um longo caminho a percorrer. Além disso, há que sublinhar que até as forças líderes do mundo precisam de interagir umas com as outras. Em todo o mundo, existem apenas dois países – os Estados Unidos e a Rússia – cuja dependência face ao exterior nesta área é quase zero, devido à sua grandeza económica e poderosa infraestrutura tecnológica. Não será por isso fácil que no futuro próximo a Turquia possa ser um rival destes países neste setor. Por este motivo, até o desenvolvimento dos sistemas de defesa aérea de longo alcance e a esperança da opinião pública de que possa ser produzida tecnologia nacional, deve ser orientada para o longo prazo e não para o imediato. As esperanças de rápidos desenvolvimentos podem não ser realistas, para além de representarem uma elevada carga financeira para o país.

Por outro lado, no longo prazo, os sistemas de defesa nacional da Turquia podem ser os projetos que apresentam as maiores oportunidades e que estão mais ao alcance da Turquia, tendo em conta os seus objetivos regionais e globais.

Esta foi a opinião sobre este assunto do catedrático Dr. Cemil Dogaç Ipek, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Ataturk



Notícias relacionadas