Síria: a derradeira prova da humanidade

Centenas de milhares de pessoas morreram ou foram mortas, e milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar o seu país por causa da guerra civil na Síria, que começou em 2 011 e ainda continua. Já a seguir, apresentamos a análise do Prof. Dr. Kudret Bulbul

Síria: a derradeira prova da humanidade

Por vezes tiram-se lições muito graves do alto custo das ações. Há lições que mais valia não terem sido aprendidas e custos que era melhor não terem sido pagos.

Esta é provavelmente uma situação que se aplica à crise síria, que nos deixou graves lições. A Primavera Árabe afetou muito de perto a Síria, tal como outras sociedades fechadas. O povo sírio teve que enfrentar um inverno negro e um regime opressivo ao longo de dezenas de anos, que nunca quis entender o seu povo mas sim esmaga-lo. Está é a reação básica dos regimes ditatoriais.

Os valores da União Europeia continuam por aplicar…

A guerra civil na Síria tornou-se mais profunda, devido à presença direta do Irão no conflito com os seus soldados, ao apoio russo dado ao regime de Assad e porque os países ocidentais não apresentaram propostas de solução. Centenas de milhares de pessoas morreram ou foram mortas, e milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar o seu país.

Os países da União Europeia não se ocuparam da crise síria até os refugiados terem começado a chegar às suas costas. As reações do Ocidente depois dos refugiados começarem a chegar à sua porta, foram muito vergonhosas para a humanidade. A maioria dos países da União Europeia, que sempre criticam os outros em questões como o pluralismo, a convivência, os direitos humanos, a igualdade, liberdade e o direito à vida, fracassou no primeiro teste sobre estes valores.

Turquia: o país que mais contribui para as democracias da Europa…

Suponhamos que a Jordânia, o Líbano e a Turquia fecham as suas portas à humanidade e aos imigrantes, e que adotam as políticas da União Europeia em relação aos refugiados. Neste cenário, milhões de imigrantes teriam chegado às portas dos países da União Europeia. Quando consideramos que muito poucos refugiados conseguem chegar à União Europeia, e mesmo assim surgem reações sub-humanas e crescem as tendências fascistas e nazis nesses países, a crise humanitária e de valores na Europa irá provavelmente aprofundar-se mais.

Apesar da Turquia acolher sozinha 3,5 milhões de sírios no seu território, e de seguir uma política de porta aberta em relação aos sírios, o partido no poder, que segue esta política, aumentou a sua votação. A quantidade de imigrantes acolhidos só na cidade turca de Kilis, é muito superior à de muitos países europeus. Um país da União Europeia disse que aceitaria 130 imigrantes. E perante essa afirmação, o então governador de Kilis deu uma resposta histórica: “Esse país não precisa de fazer esse esforço, eu mesmo acolherei 130 imigrantes na minha casa”.

Na Europa, os partidos tentam aumentar a sua votação competindo uns contra os outros com políticas anti-imigração, xenofobia e islamofobia. Na Áustria, um partido que promete “zero imigrantes” venceu as eleições. Em muitos países europeus, estão a crescer os partidos fascistas e nazis. Em alguns países formam-se coligações. Os partidos de centro-direita e de centro-esquerda estão a radicalizar-se para impedir o crescimento da extrema direita. Esta crise na Europa obscurece a cada dia que passa o futuro, e inclui riscos muito graves para a humanidade. Os esforços sobre-humanos da Turquia e dos países da região relativamente aos imigrantes, contribuem favoravelmente para que os partidos democráticos, que ainda não se dirigem para o extremismo, possam assumir o poder na Europa. O facto de nenhum imigrante sírio ter ido para o Irão ou para os países do Golfo Pérsico, é um tema de discussão pormenorizada.

Propaganda negra contra a operação Ramo de Oliveira…

Esta operação legítima da Turquia é descaracterizada com insistência por alguns círculos. Um dos principais motivos por detrás da operação Ramo de Oliveira, é a proteção da integridade territorial da Síria, já que a organização terrorista PYD/YPG – apoiada pelos Estados Unidos – se instalou passou a passo numa região que vai desde o Iraque até ao Mediterrâneo, dividindo a Síria. Mas tenta-se mostrar esta operação antiterrorista da Turquia como sendo contra os curdos. A operação contra Osama Bin Laden não foi contra os árabes, mas sim contra o terrorismo. Este é também o objetivo da Turquia. O objetivo é não permitir que uma organização, que faz terrorismo há dezenas de anos, possa criar uma zona terrorista na fronteira com a Turquia. Além disso, os que vivem na Turquia e na região, sabem muito bem que o PYD/YPG – o nome do PKK na Síria – lança ataques mortais contra os curdos que não os apoiam.

O PYD/YPG faz limpeza étnica contra os curdos, árabes, turcomanos e contra os grupos não muçulmanos que não os apoiam na região. Milhões de pessoas fogem desta organização e refugiam-se na Turquia e nos países da região. A pergunta que se deve colocar nesta situação, é por que é que este grupo terrorista apoiado pelos EUA, não permite o regresso das populações originais à região. A operação da Turquia, tem como objetivo limpar a região do terrorismo e abrir a porta ao regresso de todos os grupos étnicos e religiosos ao seu país.

Como em todas as outras guerras, esta também irá naturalmente terminar. O importante é saber quais os valores que podemos proteger e salvar para as gerações futuras, nesta e noutras guerras semelhantes, apesar de os termos perdido na maioria.

Este programa foi escrito pelo Prof. Dr. Kudret Bulbul, decano da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yildirim Beyazit, em Ancara



Notícias relacionadas