As relações entre a Turquia e a União Europeia, na perspetiva da energia

A Economia Mundial, um programa do Prof. Dr. Erdal Tanas Karagol.

As relações entre a Turquia e a União Europeia, na perspetiva da energia

O grupo de reflexão europeu Bruegel publicou um relatório chamado “Uma nova estratégia para a cooperação em energia entre a União Europeia (UE) e Turquia”. Os tópicos e o conteúdo do relatório sublinham as áreas que irão levar as relações entre a Turquia e a União Europeia para um novo nível, e que poderão abrir a porta a importantes colaborações. O relatório menciona a localização estratégica da Turquia entre a Europa, o Médio Oriente e a região do Mar Cáspio, onde se situam as mais importantes reservas mundiais de gás natural. O relatório também salienta a posição estratégica da Turquia na garantia da segurança do abastecimento energético à União Europeia.

Tal como se sabe, a Turquia é um país estrategicamente importante na sua região, desde logo devido à sua situação geográfica. A proximidade da Turquia à Europa – um dos mercados com mais consumo de energia em todo o mundo – faz com que a importância da Turquia no mercado mundial do gás natural suba de dia para dia. Os projetos do TANAP e do Turkish Stream que a Turquia está a desenvolver há vários anos, são centrais para a importância do país no setor energético. Estes projetos dão à Europa a oportunidade de importar gás natural através da Turquia e ao mesmo tempo oferecem aos países europeus a vantagem da cooperação com um país credível como a Turquia, que está num caminho estável de desenvolvimento.

Os projetos do TANAP e do Turkish Stream irão facilitar o fluxo do gás natural entre o oriente e o ocidente. Eles vão permitir aumentar a capacidade de transporte de gás para a Europa através da Turquia. Relativamente a este aumento da capacidade, o relatório menciona que a percentagem de gás natural fornecido à Europa através da Turquia - que atualmente se situa em apenas 0,15% do consumo total da Europa - irá aumentar significativamente depois destes projetos entrarem em serviço, para os 2,48% do total do consumo europeu. Isto irá permitir que a Turquia se torne num país de trânsito de gás na sua região, o que por sua vez irá fortalecer a posição estratégica da Turquia com a sua capacidade de transporte acrescida.

Outro tema importante no relatório é o facto da cooperação entre a Turquia e a UE nas áreas das energias renováveis e da eficiência energética, não ter até agora sido tão bem sucedida como a cooperação ao nível do gás natural e da eletricidade. Não existe atualmente qualquer razão para que as energias renováveis não sejam potenciadas como nova área de cooperação nas relações bilaterais. Pelo contrário, e tal como é mencionado no relatório, é muito grande o potencial de que instituições como o Banco Europeu de Investimentos, a Comissão Europeia e o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, deem apoio financeiro a projetos de energias renováveis e de eficiência energética na Turquia.

O nosso país tem uma posição favorável em relação aos países membros da União Europeia no que toca à energia hidroelétrica, potencial eólico, geotérmico e de energia solar. A Turquia está a preparar-se para pôr em funcionamento um dos projetos mais bem sucedidos na área das energias renováveis, com a criação da sua estratégia de Área de Fontes de Energia Renovável  (YEKA). A Turquia está muito determinada em usar o seu potencial de energia renovável neste contexto. O primeiro concurso público YEKA teve lugar em março, para um projeto que depois de concretizado será a maior central de energia solar do país. E em agosto, teve lugar outro concurso público para a construção de uma grande central de energia eólica.

Estes dois projetos irão acelerar os investimentos em energias renováveis na Turquia, e foram alvo do interesse dos investidores nacionais e internacionais. Pudemos constatar durantes estes concursos públicos um interesse especial por parte dos investidores europeus, que querem tirar proveito do alto potencial da Turquia em termos de energias renováveis. No caso do projeto da central de energia eólica, foi escolhido um consórcio turco-alemão. Neste contexto, podemos dizer que a estratégia YEKA aproxima a Turquia e a União Europeia, para uma base comum de cooperação ao nível das energias renováveis.

Outra questão mencionada no relatório, é o facto da União Europeia poder dar apoio à Turquia na área da energia nuclear. A Turquia deu passos significativos nesta área, com as centrais nucleares planeadas para Sinop e o projeto da central nuclear de Akkuyu, cuja construção irá começar no próximo ano. Por isso, podemos dizer que os atuais planos e projetos na Turquia têm o potencial de ser elementos que contribuam para melhorar e ampliar o diálogo energético entre a Turquia e a União Europeia através de novas colaborações.

A Turquia é um dos países mais importantes da sua região, com a sua atual posição crítica. E a Europa é dos maiores mercados mundiais consumidores de energia. Por isso, todos os passos dados em termos de colaboração energética entre a Turquia e a União Europeia, irão reforçar a cooperação mútua e colocar a Turquia mais próxima do seu objetivo de se tornar num centro de energia.



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