Uma cintura, uma rota: a Rota da Seda Moderna

A análise de Cemil Dogaç Ipek, investigador de Relações Internacionais na Universidade Ataturk.

Uma cintura, uma rota: a Rota da Seda Moderna

Os chefes de estado e de governo de 29 países reuniram-se em Pequim em maio, para discutir o projeto da Rota da Seda Moderna, apresentado pela China. Esta ideia foi apresentada pelo líder chinês, Xi Jinping, em 2 013.

A China criou as bases da cintura económica da Rota da Seda em 2 014, um projeto para o qual destinou 40 mil milhões de dólares. Para financiar este projeto, a China criou o Banco Asiático de Investimentos, que concedeu créditos no valor de 100 mil milhões de dólares para a construção de infraestruturas, em 2 014. A Turquia é um país membro fundador deste banco. O projeto deverá ter impacto sobre 4,4 mil milhões de pessoas em 65 países, e tem um valor total de 20 triliões de dólares, de acordo com as previsões.

Mas o primeiro objetivo do projeto consiste em ligar as mais importantes economias do eixo euro-asiático, através de infraestruturas de transporte, comércio e investimento. O projeto não é composto por apenas uma via e inclui também diferentes alternativas. O projeto é composto por dois itinerários comerciais importantes, um terrestre e outro marítimo. O primeiro é a Cintura Económica da Rota da Seda, e o segundo é denominado Rota da Seda Marítima. A Turquia faz parte do “Corredor Central”, ou seja, faz parte do corredor entre a China central e a Ásia Ocidental. Por seu turno, a via marítima é composta por uma vasta rede na qual se incluem várias costas e portos ao longo do sul e sudeste asiático, e ainda na África Oriental e na costa norte do Mediterrâneo.

A iniciativa da Nova Rota Seda é considerada como sendo o Plano Marshall da China. Este projeto desenvolvido sob a égide da China, é comparado ao plano Marshall, o plano de ajuda americano que foi implementado depois da II Guerra Mundial. É por isso um plano de grande dimensão, segundo os cálculos dos economistas. O plano chinês é 12 vezes mais importante que o Plano Marshall.

A Turquia apoiou esta iniciativa da China, investindo no Marmaray e na Ponte Yavuz Sultan Selim, que já estão em funcionamento. A Turquia continua a apoiar o projeto com outras obras, como a construção do 3º aeroporto de Istambul e ainda os projetos ferroviários de ligação entre Bacu, Tiblissi e Kars, e também com a ligação entre Edirne e Kars.

A Turquia juntou-se em primeiro lugar à fase terrestre do projeto, através de iniciativas concretas. Este corredor permitirá reduzir o tempo de transporte entre a China e a Turquia, dos atuais 30 dias para apenas 10. Os produtos que atualmente tardam 2 meses a chegar de Pequim por via marítima, poderão estar em Istambul em menos de duas semanas. A distância por via terrestre será encurtada em 3 mil kms. A COSCO (uma das maiores empresas logísticas do mundo, baseada na China), comprou a Kumport, o terceiro maior operador de portos na Turquia, em termos do número de contentores. Com esta compra, a Turquia foi assim também incluída na dimensão marítima deste projeto.

O presidente Erdogan quer aumentar o envolvimento da Turquia neste projeto, alargando o seu campo de ação também para os domínios do turismo, da ciência, da tecnologia, dos media e da cultura, e também ao nível do intercâmbio de estudantes e de pessoal. Segundo Erdogan, este projeto é uma iniciativa que irá reduzir a zero o terrorismo na região e no mundo. Ele salienta em todas as ocasiões que a Turquia está pronta a dar o apoio necessário ao projeto.

O projeto, que prevê grandes investimentos em infraestruturas na Ásia, em África e na Europa, permitirá também a criação de integração económica e cultural entre as religiões, as sociedades e as civilizações. O projeto inclui países importantes, desde logo a China, mas também as repúblicas turcófonas da Ásia Central, a Turquia, o Irão e a Rússia.

A Turquia, que inclui a Anatólia – um lugar de passagem crucial da Rota da Seda – é um país importante no projeto que irá ligar a China ao centro da Europa. Situada na confluência entre a Europa, a Ásia e o Médio Oriente, a Turquia será um ponto de contato da Cintura Económica da Rota da Seda – composto pelo domínio rodoviário e ferroviário do projeto – com a Europa. No final de contas, as necessidades da China e da Turquia serão recíprocas. A China tenta reanimar a Rota da Seda, desenvolvendo as suas ligações com a Turquia, o país chave nesta iniciativa.

A Turquia tem uma vantagem importante devido ao seu acesso ao mar e à sua poderosa infraestrutura portuária. Mas o país deve acelerar os seus projetos em curso, para reforçar a sua rede ferroviária e logística. Com estes projetos, a Turquia irá consolidar as suas relações económicas avançadas com países tais como a China, o Irão e a Rússia, todos situados na Cintura Económica da Rota da Seda.

O mais importante de tudo, é que a interação com as repúblicas turcófonas como o Azerbaijão, o Quirguistão e o Uzbequistão, serão elevadas até ao mais alto nível.



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