Merkel e Putin discutem sobre Ucrânia e Síria

A chanceler alemã, Angela Merkel, se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin em sua primeira visita à Rússia desde que a península da Criméia da Ucrânia foi anexada por Moscou.

Merkel e Putin discutem sobre Ucrânia e Síria

A chanceler alemã, Angela Merkel, em uma visita rara à Rússia, disse que Berlim e Moscou tinham que continuar falando apesar de seus desentendimentos. Mas essas mesmas diferenças obscureceram suas conversações com o presidente russo, Vladimir Putin, na terça-feira.

Em uma coletiva de imprensa após uma reunião na estância russa de Sochi no Mar Negro, posições divergentes foram exibidas sobre a Síria, a Ucrânia, o respeito russo pelos direitos civis e as alegações de que Moscou está interferindo nas eleições de outros países.

Merkel estava fazendo sua primeira visita bilateral à Rússia desde que Moscou anexou a península da Criméia da Ucrânia em 2014, um movimento que desencadeou o pior confronto entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria.

Questionada por um repórter, se temia que a Alemanha pudesse estar sujeita às tentativas russas de interferir nas próximas eleições parlamentares divulgando notícias falsas, Merkel assumiu uma linha firme.

"Eu não sou uma pessoa ansiosa, vou concorrer a eleição com base em minhas convicções", disse ela, acrescentando que os alemães resolveriam de forma decisiva quaisquer casos de falsas informações.

"Nós nunca interferimos na vida política e nos processos políticos de outros países e não queremos que ninguém interfira na nossa vida política e nos processos de política externa", disse Putin.

A paz instável da Ucrânia

No conflito no leste da Ucrânia, onde os separatistas pró-Moscou estão lutando contra o governo de Kiev, Putin e Merkel disseram que concordaram com a necessidade da plena implementação do acordo de Minsk, um acordo de paz internacionalmente negociado que agora está efetivamente paralisado.

No entanto, Putin lançou um ataque contra a administração pró-ocidental em Kiev, dizendo que a administraçäo - e não a Rússia ou seus aliados - estavam forçando a região separatista a se afastar da Ucrânia. Isso contradiz a posição de Berlim.

"Os acontecimentos no leste da Ucrânia são o resultado de um golpe de estado, uma mudança de poder inconstitucional em Kiev", disse Putin, referindo-se a protestos de rua que forçaram o líder anterior da Ucrânia, que se inclinava para Moscou.

Perguntado por um repórter sobre uma contaminação mortal de gás venenoso na cidade síria de Khan Sheikhoun, que governos ocidentais disseram que era um ataque de armas químicas pelas forças do regime sírio, Putin disse que não estava provado.

Ao falar sobre um ponto sensível para as autoridades russas, Merkel disse que havia levantado preocupações com Putin sobre a atuação da polícia em protestos anti-Kremlin, bem como outras questões que as organizações de direitos humanos dizem ser motivo de alarme.

Esses números incluem relatórios, negados pelas autoridades locais, de que os homossexuais estão sendo detidos e torturados na região russa da Chechênia, e uma decisão da Suprema Corte no mês passado banindo as testemunhas de Jeová como um grupo extremista.

"Nas minhas conversações com o presidente russo, referi o quão importante é o direito de demonstrar numa sociedade civil e o papel das ONGs", disse Merkel.

"Ouvimos algumas notícias muito negativas sobre o tratamento dos homossexuais na Chechênia e pedi ao presidente Vladimir Putin que usasse sua influência para garantir os direitos das minorias aqui, bem como com as testemunhas de Jeová".

Putin negou que a polícia russa tenha violado os direitos dos manifestantes ao prendê-los.

"Os órgãos policiais russos se comportam de maneira muito mais restritiva do que seus colegas de outros países europeus", disse Putin, sem especificar quais países ele tinha em mente.

Fonte: TRTWorld e agências


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