Argentina: Macri confia na reestruturação e novos objetivos econômicos diante da crise

O governo argentino definiu novos objetivos econômicos na segunda-feira.

Argentina: Macri confia na reestruturação e novos objetivos econômicos diante da crise

Buenos Aires, (EFE) - O governo argentino definiu novos objetivos econômicos na segunda-feira e se reestruturou diante da difícil situação que o país atravessa devido à instabilidade do câmbio e à incerteza nos mercados, uma crise que também os levará a renegociar o crédito que eles tinham com o FMI.

O presidente Mauricio Macri falou ontem em uma mensagem gravada disse que vai implementar uma mudança "raiz" em sua trajetória, marcada desde o início de sua gestão pelo chamado gradualismo econômico no momento de realizar reformas e agora acrescenta um compromisso com o rápido equilíbrio fiscal e ajustes em um governo que vai de 19 a 10 ministérios antes de entrar no ano eleitoral.

"Pedimos ao mundo que nos apoiasse com uma mudança gradual, e é muito positivo que tenham feito isso desde o início. O mercado também fez isso por dois anos", disse o político conservador antes de referir-se a complicações que estavam "fora de controle". Governo e isso, ele disse, geraram a situação atual na Argentina.

O aumento no preço do petróleo e das taxas de juros, a chamada "batalha comercial" entre a China e os Estados Unidos e até mesmo o recente escândalo sobre supostos subornos no governo Kirchner (2003-2015), que "afeta a imagem do país e gera mais dúvidas", foram alguns dos problemas apontados por Macri em sua mensagem.

Esse plano de contenção ocorre após uma semana em que a moeda do país sul-americano caiu 21% em relação ao dólar e acumulou um colapso de 34% em agosto e 98% no ano, situação que gerou preocupação entre a população argentina e que Macri afirmou estar ciente.

No final do seu discurso, o ministro da Economia, Nicolas Dujovne, recolheu a testemunha numa conferência de imprensa na qual detalhou os intercâmbios econômicos anunciados pelo presidente.

O novo objetivo é alcançar em 2019 o "saldo fiscal", termo escolhido pelo executivo para se referir à meta de deixar o déficit primário argentino em 0,0% naquele ano que resultará em um lucro de 6 bilhões de dólares - até agora, o objetivo era -1,3%.

Para isso, economizarão 0,7% do produto interno bruto (PIB) e repassarão subsídios de transporte para as províncias argentinas, o que eliminará 0,5% do déficit, entre outras medidas.

O mais notável deles é um novo imposto generalizado e "transitório" para as exportações em 2019 e 2020.

As empresas de atividades e serviços primários serão taxadas em quatro pesos por cada dólar exportado, enquanto para o resto das empresas o imposto será de três pesos para cada dólar.

"É ruim, muito ruim, mas necessário", disse Macri ao referir-se ao Imposto Adicional sobre Direitos de Exportação, que visa reduzir 1,1% do déficit total.

Os mercados, por sua vez, reagiram com uma queda no mercado de ações de 1,66% e um novo aumento no preço do dólar. EFE
 



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